Menu
sbado, 23 de janeiro de 2021
Busca
BONITO AGUAS DE BONITO JANEIRO

Indígenas do Mato Grosso vivem epidemia de diabetes

9 Mai 2011 - 15h47Por Folha.com

A aproximação com o modo de vida ocidental, que inclui sedentarismo e alimentos industrializados, ampliou entre os índios de Mato Grosso a prevalência de males da vida moderna, como obesidade e diabetes.

A constatação é de médicos pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que, desde 1965, presta atendimento médico aos índios do parque do Xingu. Há quatro anos, a instituição avalia as condições de saúde dos xavantes, que habitam o leste de Mato Grosso.

A instalação de fazendas e o surgimento de estradas e cidades no entorno das terras indígenas vêm alterando rapidamente o estilo de vida dos índios.

O consumo de alimentos tradicionais (milho, mandioca e abóbora) caiu, assim como a frequência de atividades que exigem esforço físico, como a caça.

"A introdução maciça de alimentos industrializados, associada a mudanças no modo de viver desses povos, provocou o aparecimento de casos de hipertensão arterial e diabetes", diz o médico sanitarista Douglas Rodrigues, do departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, que integra o projeto. As comunidades mais isoladas e que mantêm o modo de vida tradicional ainda têm uma condição de saúde mais favorável, diz o médico.

DIABETES

O reflexo dessas mudanças vem sendo analisado entre índios xavantes, em uma parceria da Unifesp com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

A coleta mais recente, feita entre 15 e 24 de abril em duas áreas com quase 4.000 índios, revelou que mais da metade dos maiores de 20 anos têm diabetes ou estão prestes a desenvolver a doença. A prevalência de sobrepeso e obesidade chega a 82% entre os adultos.

O endocrinologista João Paulo Botelho Vieira Filho, um dos coordenadores do estudo, diz que até 1987 havia registro de apenas três índios diabéticos nesses locais. "Estamos diante de uma epidemia", afirma. A mudança nos hábitos não é o único fator de risco. Vieira Filho participou do estudo internacional que descreveu o gene ABCA1 ""uma variante que favorece o acúmulo de gordura no organismo e que já foi identificada em populações indígenas do Brasil, dos EUA e do Canadá.

"Essa característica era uma vantagem no modo de vida tradicional, em que não havia alimento garantido e era necessário acumular energia. Em um contexto de sedentarismo e dieta industrializada, o efeito é trágico."

As áreas xavantes já registram casos de catarata, insuficiência renal e amputações decorrentes do diabetes.

O consumo de refrigerantes é alto, assim como o de bolachas recheadas e açúcar fornecido em cestas básicas pelo governo federal.

"Não estamos falando de casos tratáveis de pneumonia ou tuberculose. São doenças crônicas graves. É preciso uma ação urgente, principalmente para reeducar os mais jovens", diz Vieira Filho.

Deixe seu Comentário

Leia Também

luto CORONAVÍRUS EM MS
Boletim Covid-19 deste sábado registra óbitos em 12 municípios de MS
Instituto de Desenvolvimento de Bonito
IDB INFORMA: Harpia, maior águia do país é flagrada caçando um macaco, em atrativo de Bodoquena
VÍDEO - CHEIAS E IMAGENS LINDAS
Imagens mostra o deck submerso pelas águas cristalinas do rio Olho D'Água devido as cheias em Bonito
LINGUIÇA DE MARACAJU
Linguiça tradicional de Maracaju é o segundo produto a receber o Selo Arte em MS
BONITO - MS - AÇÃO DA PMA
AGORA DEU MEDO: Jiboia de 2 metros é captura em quintal de residência em Bonito (MS)
ALERTA
Sala de Situação do Imasul alerta para risco de transbordamento dos rios Miranda e Aquidauana
MUITA CHUVA NO MS
Em Bonito as águas do Rio Miranda e Rio Aquidauana em Aquidauana sobem mais e desabriga famílias
BONITO - MS - AÇÕES NO MUNICÍPIO
Prefeito e representantes da Sanesul discutem ações de trabalhos para Bonito (MS)
MIRANDA - CASO DE POLÍCIA
Homem rouba celular, saca dinheiro com cartão de idoso e é preso em Miranda
BOLETIM CORONAVÍRUS EM MS
Mais de 30 mortes por coronavírus são registradas em apenas um dia em MS, confira o boletim