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Execução de jornalista na fronteira pode estar relacionada com cobertura do crime organizado

Em 2012, outro jornalista, Paulo Rocaro, foi executado nesta mesma região, entre os limites das cidades de Ponta Porã e Pedro Juan

14 Fev 2020 - 06h08Por Redação

A morte do jornalista Lourenço Veras, 52, em Pedro Juan Caballero na quarta-feira (12) reacendeu novamente as discussões sobre os riscos que envolvem a atividade jornalística na fronteira. Em 2012, outro jornalista, Paulo Rocaro, foi executado nesta mesma região, entre os limites das cidades de Ponta Porã e Pedro Juan.

Leo Veras, como era conhecido, proprietário e editor do site de notícias Porã News, atuava na cobertura de temas relacionados a segurança pública há 15 anos. Ele concedeu entrevista a um documentário da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) em 2017 e a um canal de televisão aberta no início deste ano no qual comenta sobre a situação na região de fronteira seca entre o Brasil e o Paraguai. 

Momentos após a execução realizada por três pistoleiros por volta das 21 horas de ontem, começaram a circular vídeos, textos e áudios de profissionais da imprensa relacionando o assassinado à atividade jornalística de Veras. 

IMPRENSA

Diversos grupos de comunicação divulgaram materiais em que relacionam o assassinato às atividades investigativas de Leo Veras. 

A própria polícia paraguaia disse nesta quinta-feira (13) que não descarta ligações do crime com possíveis casos de corrupção institucional do país vizinho e com a atividade do narcotráfico na Região. 

O Governo do Paraguai anunciou que quatro promotores de Justiça de Assunção devem chegar ainda nesta quinta-feira (13) para acompanhar as investigações, segundo o site Mídia Max.

Os sites ABC Color e Campo Grande News relembraram as palavras de Veras em entrevista concedida à Abraji em que ele ‘pede’ que sua morte seja da forma menos violenta possível. A declaração do jornalista evidencia a consciência que tinha do ambiente em que trabalhava e dos riscos vitais que estava sujeito. 

"A gente tem que morrer um dia, eu sempre peço que não seja tão violenta a minha morte, não seja com tantos disparos de fuzil. Porque aqui, se um pistoleiro quer te matar, ele vem na tua porta, manda você abrir e ele te dá um disparo. Peço que seja só um disparo pra não estragar tanto a pele", disse Veras, no documentário de lançamento do Projeto Tim Lopes.

O jornalista brasiguaio não foi assassinado com apenas um tiro, mas sim com 12 disparos de pistola 9mm, após invasão de três pistoleiros que entraram em sua residência no momento em que jantava com a família. 

BRASIL

Assim como no Paraguai e na mídia de Mato Grosso do Sul, o assassinato de Veras foi noticiado em grandes portais como G1, R7 e Revista Época, por exemplo, além de reportagem exibida nesta quinta-feira no Jornal Hoje da Rede Globo de Televisão. Em todos os conteúdos divulgados foram relatadas as possíveis relações da morte do jornalista com a atividade profissional dele.

 

(Com informações Dourados News)

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