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Caso de Polícia

Coronel preso por feminicídio exaltava "macho alfa" em mensagensn enviadas

Denúncia do Ministério Público de São Paulo destaca mensagens nas quais Geraldo Leite Rosa Neto expõe comportamento machista e controlador

19 Mar 2026 - 08h45Por Redação/ Bonito Informa/Metrópoles

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou, em denúncia obtida pelo Metrópoles, uma série de mensagens atribuídas ao tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto as quais evidenciam um comportamento descrito como “tóxico, autoritário e possessivo” contra a esposa, a soldado Gisele Alves Santana.

Segundo o site Metrópoles, o oficial foi preso nesta quarta-feira (18/3) pela Corregedoria da PM, em São José dos Campos, no interior paulista.

Segundo a promotoria, os diálogos extraídos do celular do próprio investigado mostram uma dinâmica de controle e submissão dentro do relacionamento, pano de fundo, segundo os investigadores, para o assassinato, classificado como feminicídio. Além disso, o oficial foi acusado, pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM) de fraude processual.

A prisão dele resultou de pedido da Justiça Militar. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) não havia se manifestado sobre outro pedido de prisão, feito nessa terça-feira (18/3) pela Polícia Civil, até a publicação desta reportagem.

A defesa do oficial alega que ele é inocente, mantendo a tese de que a soldado teria se suicidado. O oficial seria submetido a uma audiência de custódia do TJM, via chamada de vídeo, na tarde desta quarta-feira.

“Macho alfa”

Em uma das mensagens constantes na denúncia da Promotoria, o oficial descreve, de forma explícita, o modelo de relação que esperava manter. Segundo ele, um marido precisa ser “provedor” e a esposa “carinhosa e submissa”. Com isso, segundo mensagem atribuída ao oficial, “não tem atrito”.

“Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”, escreveu Geraldo Neto.
A denúncia também reproduz frases que reforçam a visão de superioridade do coronel, o qual se autointitula “mais que um príncipe”.

“Sou rei, religioso, honesto, trabalhador, inteligente, saudável, bonito, gostoso, carinhoso, romântico, provedor, soberano.”

Para o MPSP, o conteúdo revela “comportamento machista, agressivo, possessivo, manipulador e autoritário”, incompatível com a versão pública apresentada pelo oficial após a morte da esposa.

Relação marcada por controle, humilhação e violência

A denúncia descreve um relacionamento que rapidamente saiu de um início “harmônico” para um cenário de abusos sistemáticos. Segundo os promotores, Gisele passou a sofrer violência psicológica, física e moral, além de controle financeiro e isolamento social.

Há ainda relatos de exigência de relações sexuais como forma de “compensação” pelos custos da casa, o que aparece também nas mensagens. “Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo… mas nem isso você faz”, escreveu o oficial.

Dias antes do crime, Gisele já manifestava de forma clara o desejo de romper o relacionamento, afirmando que não estava disposta a “trocar sexo por moradia e ponto-final”.

“Você não me respeita; não sabe conversar; ontem enfiou a mão na minha cara”, declarou a agora vítima de feminicídio.
Ainda de acordo com a Promotoria, a decisão da vítima de se separar foi o estopim para o crime.

Feminicídio e tentativa de simular suicídio

O MPSP denuncia o tenente-coronel pelo feminicídio da esposa, com um tiro na cabeça, dentro do apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro.

Segundo o documento, o disparo foi feito após uma discussão motivada pela intenção de Gisele de se divorciar. Em seguida, o oficial teria manipulado a cena para simular suicídio, colocando a arma na mão da vítima e alterando o ambiente.

A investigação aponta ainda que ele demorou a acionar socorro e chegou a tomar banho para eliminar vestígios, mesmo após orientação contrária dos policiais que atenderam a ocorrência.

 

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