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Obama cita Brasil e China e rejeita declínio dos EUA e Reino Unido

25 Mai 2011 - 17h45Por Folha.com

O presidente americano, Barack Obama, rejeitou nesta quarta-feira que o crescimento de potências emergentes como a China, o Brasil e a Índia causem um declínio da influência da Europa e dos Estados Unidos no cenário internacional, e disse que o elo entre EUA e Reino Unido continua a ser "fundamental" para um "mundo mais justo, próspero e seguro".

Obama deu as declarações em discurso para as duas Câmaras do Parlamento Britânico, no Westminster Hall, no seu segundo dia de visita ao Reino Unido.

"Países como a China, o Brasil e a Índia estão crescendo, criando mercados e oportunidades para nossos povos. Tais nações crescem porque estão baseados nos valores que os EUA e o Reino Unido defendem. Há quem acredite que tal crescimento virá junto com a decadência inevitável da influência de nossos países no mundo. Há quem diga que essas nações são o futuro e nós o passado, mas isso está errado. O tempo para nossa liderança é agora.", afirmou Obama.

Para o presidente americano, a aliança entre os dois países é "indispensável" para promover paz, Justiça e prosperidade no mundo. "Os EUA e o Reino Unido EUA defendem a liberdade e a dignidade humana, dividimos esses valores, que não são exclusividade nossa, mas universais. Por isso, os defendemos no mundo todo".

"Também acreditamos que todos merecem acesso à saúde, direitos e aposentadoria, e isso sempre foi a razão para nossa liderança no mundo, o compromisso com os nossos cidadãos. Agora estamos em recessão, temos que fazer escolhas difíceis, mas já enfrentamos desafios similares no passado. Precisamos reafirmar os compromissos conosco e que temos um com os outros [EUA e Reino Unido]", acrescentou.

SEGURANÇA NO MUNDO

No discurso, Obama disse ainda que é importante também garantir a segurança, e que EUA e Reino Unido estão comprometidos a "derrotar o mal no mundo". "No entanto, sabemos o preço alto da guerra, por isso fundamos a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), para que os aliados estejam lado a lado. A Otan garantiu segurança por quase 50 anos, e é a aliança mais bem-sucedida da história", afirmou o líder dos EUA.

Obama afirmou também que os dois países jamais estarão em guerra com o islã, mas que querem combater o terrorismo e a Al Qaeda. "Nosso inimigo não respeita a lei, nenhuma lei de guerra, por isso, precisamos nos defender do jeito que for possível. Nos últimos anos, o Afeganistão tem sido o principal front, em grande parte com a ajuda do Reino Unido".

"Nós agora nos preparamos para virar uma página no Afeganistão, com a transição para uma liderança afegã. Durante este período, lutaremos por uma paz duradoura com aqueles que se libertam da Al Qaeda, respeitam a Constituição afegã e deixam de lado as armas. E garantiremos que o Afeganistão não seja um refúgio para terroristas, e sim um país forte, soberanos e independente".

O presidente americano falou ainda do compromisso das duas nações em impedir a proliferação de armas nucleares para que "não caiam em mãos erradas", como as do Irã e da Coreia do Norte.

ONDA DE REVOLTAS

Em relação à Líbia, Obama disse que seu país e o Reino Unido continuarão a "proteger os civis da sombra da tirania".

"Há quem defenda que a soberania deve estar acima de tudo, mas nós somos diferentes. Precisamos impedir os ataques contra civis. Sempre acreditamos que o futuro de nossos filhos e netos só será bom se os futuros de netos e filhos de outros também for. Se abrirmos mão dessa responsabilkidade, quem nos sucederá, e que tipo de futuro teremos? Por isso, nossa liderança é fundamental", acrescentou.

Obama citou ainda os "jovens que estão nas ruas de Damasco (Síria), do Cairo (Egito), lutando pela liberdade, que, para ele, também são inspirados pelos valores compartilhados por EUA e Reino Unido.

"A verdadeira razão de nossa influência não é nosso poderio militar ou nossa economia, mas dos valores que defendemos. Acreditamos que direitos não podem ser negados".

COLETIVA DE IMPRENSA

Mais cedo, em coletiva de imprensa do lado do premiê britânico, David Cameron, Obama disse que os EUA "não aliviarão a pressão que estamos fazendo [contra Gaddafi]".

Ao seu lado, Cameron reiterou que Gadaffi deve renunciar. "É impossível imaginar um futuro para a Líbia com Gaddafi no poder, ele precisa sair", afirmou.

Obama admitiu, no entanto, que os progressos obtidos pelas forças da Otan no país são limitados. Ele disse que os "enormes sacrifícios" dos aliados da Otan fizeram uma "diferença enorme", mas que será um "processo lento".

"Temos obtido muito sucesso em evitar vítimas civis. Isso significa que talvez tenhamos que ser mais pacientes do que as pessoas gostariam".

Por sua vez, Cameron disse: "Eu concordo que as duas coisas principais são paciência e persistência".

Obama disse ainda que os EUA estão intensificando a pressão ao ditador sírio, Bashar al Assad, e seu regime, que ataca manifestantes opositores.

Segundo Cameron, ele e Obama também estão comprometidos a ajudar "os que lutam pela liberdade nos países 'árabes", em referência às revoltas populares na região.

Na coletiva, o premiê disse ainda que EUA e Reino Unido devem continuar a lutar lado a lado com o Paquistão para deter o terrorismo. "Longe de nos afastarmos, precisamos trabalhar junto com eles [Paquistão]. O inimigo deles é nosso inimigo", disse.

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