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12 FERIDOS

Teto de carro da Unidos da Tijuca tomba e deixa 16 feridos

28 Fev 2017 - 08h42Por Extra

A parte de cima de um dos carros da Unidos da Tijuca despencou quando a alegoria começava a desfilar pela Marquês de Sapucaí. Há pelo menos 19 feridos, que estavam representando personagens do carnaval de Nova Orleans. Este ano, a escola de samba homenageia a música americana em seu enredo.

Teto de carro da Tijuca cedeTeto de carro da Tijuca cede Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Havia componentes da escola nas duas laterais do carro, construída em madeira. A parte superior cedeu para a esquerda, e jogou os integrantes para dentro da composição. Nenhum componente caiu lá de cima na pista — mas alguns ficaram presos às ferragens da alegoria. De acordo com um dos integrantes, havia cerca de 20 pessoas na plataforma tombada na hora do acidente. Membros da Tijuca estimam que a peça desabada tivesse entre dois metros e meio a três metros de altura: ficava no centro da "varanda" do carro, e represetava oito quartos de bordéis da cidade americana.

 

Uma das laterais da alegoria que homenageava o carnaval de Nova Orleans cedeuUma das laterais da alegoria que homenageava o carnaval de Nova Orleans cedeu Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

A informação oficial da Secretaria Municipal de Saúde é de que 19 pessoas ficaram feridas no acidente — onze traumas e oito casos de crise de ansiedade. Nove precisaram ser encaminhados para hospitais e foram distribuídos entre os centros de saúde municipais Miguel Couto, na Gávea; Souza Aguiar, no Centro; e Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Os casos que mais inspiram cuidados são dois: um componente com traumatismo craniano e outro com traumatismo abdominal, ambos em estado grave.

Os demais dez tiveram ferimentos mais leves, e foram socorridos e liberados no próprio posto médico do Sambódromo. Entre eles, oito foram atendidos por estresse decorrente do acidente.

Um dos feridos encaminhados ao Hospital Municipal Miguel Couto foi identificado como Fernando Rodrigues Maia Filho, de 50 anos. Ele teve traumatismo craniano de grau moderado e está consciente.

Mais tarde, uma mulher identificada como Jô, de 40 anos, saiu imobilizada do posto médico da Avenida em uma ambulância, repetindo que se sentia bem. Ela estava acompanhada da filha, que reforçava que o caso da mãe não era grave.

Uma espectadora que estava nas arquibancadas filmava a evolução da Tijuca e flagrou o momento em que parte do teto cedeu.

 

 

Mulher é levada para ambulância após teto de alegoria da Tijuca tombarMulher é levada para ambulância após teto de alegoria da Tijuca tombar Foto: Luã Marinatto

Os componentes que não foram atingidos no tombamento choravam durante a mobilização de socorro. Alguns relataram o momento do acidente. Quando os componentes iriam começar a coreografia, escutaram um barulho e viram a lateral tombar para o lado esquerdo. Depois, ouviram gritos, e começou o desespero.

— Logo no começo, depois de o carro subir, do nada desabou — recordou a integrante Raissa, que se referia ao ato de erguer a alegoria para sua posição de desfile, já que os carros são construídos nos barracões e transportados abaixados. — Graças a Deus eu estava do outro lado, mas estou triste pelo meus amigos. Lamentavelmente, um desfile que tinha tudo para dar certo...

Vanessa, que também estava no carro quando a parte superior tombou, contou que o carro não sofreu danos ao passar por baixo do viaduto que antecede a entrada na Avenida. Segundo ela, naquele momento, a plataforma ainda estava abaixada. Logo depois, foi erguida, e os componentes começaram a fazer a coreografia.

— Quando a gente saiu, ela tombou. Do lado em que eu estava, ninguém se feriu, porque estávamos fora da estrutura. A gente ensaiou várias vezes no carro, até semana passada, e ele nunca deu problema — relatou, ainda ofegante depois do susto.

PERÍCIA NO CARRO

Ao fim do desfile, a Polícia Civil confirmou que a perícia no carro alegórico seria feita no próprio Sambódromo. Assim como o acidente da Paraíso do Tuiuti, o da Tijuca será investigado pela 6ª DP (Cidade Nova). A responsabilidade cabe ao delegado André Marrone, que começou a ouvir representantes da escola na Praça da Apoteose. As autoridades vão convocar a depor nesta terça-feira as vítimas já liberadas do atendimento médico e o responsável técnico pelo carro.

 

Imagem aérea mostra dano ao carro da TijucaImagem aérea mostra dano ao carro da Tijuca Foto: Reprodução / TV Globo

 

Um dos componentes que dançavam no carro, Marlom Ramalho credita o acidente ao excesso de peso na lateral da alegoria.

— A estrutura não suportou o peso das pessoas. Era uma coreografia que estava sendo feita em cima de uma plataforma, que cedeu.

Decepcionado com o contratempo, o integrante da Harmonia da escola Sivuca negou falhas no projeto ou na execução da alegoria. Segundo ele, os testes são feitos com o mesmo número de componentes que desfilam.

— Temos o melhor ferreiro entre todas as escolas. Fizemos testes diários com peso. Não tinha gente demais. Foi uma fatalidade — argumentou.

Já Mauro Quintaes, da Comissão de Carnaval da Unidos da Tijuca, reforçou que o carro acidentado passou por testes e vistoria do Corpo de Bombeiros. Ele contou que as bases do chassi dos carros costumam ser reaproveitados e que uma "fadiga" do ferro pode ter sido uma das causas do problema, embora só a perícia possa confirmar a hipótese.

— Esse ano vai entrar para a história do carnaval pelo número de problemas que vêm acontecendo, tanto no desfile do Grupo de Acesso como no Especial — lamentou Quintaes.

 

Componentes de carro que não se acidentaram continuaram desfileComponentes de carro que não se acidentaram continuaram desfile Foto: Geraldo Ribeiro

 

REGULAMENTO MANTIDO

Segundo o presidente da Liesa, a liga que organiza o desfile do Grupo Especial, Jorge Castanheira, a situação estava sob controle, com os feridos já socorridos.

— Agora não temos como avaliar o que está acontecendo. Mas após o Carnaval, vamos reunir todos os presidentes para entender o que aconteceu. Foi um ano atípico — frisou Castanheira, que desviou das perguntas sobre a recorrência de problemas em alegorias na entrada da Avenida. — Lamentavelmente. O outro acidente (o da Paraíso do Tuiuti) foi de outra característica. Vamos ter que analisar. Há mais de 30 anos é a mesma planta (para a entrada dos carros).

A Liesa confirmou que, apesar dos acidentes, o regulamento do carnaval será mantido: uma escola do Grupo Especial será rebaixada para a Série A no desfile do ano que vem.

 

Componente da Tijuca teve o rosto ferido no tombamento do teto da alegoriaComponente da Tijuca teve o rosto ferido no tombamento do teto da alegoria Foto: Reprodução

 

DESFILE CONTINUA

Bombeiros entraram no carro para verificar a dimensão dos danos e operar o resgate. Concluída a remoção dos feridos, os agentes liberaram a alegoria e a escola decidiu manobrá-la para o primeiro recuo da bateria. Sem sucesso, o carro continuou no espetáculo com os tijucanos que não haviam se ferido. Eles foram retirados já na dispersão.

Enquanto isso, para não perder tempo, os demais componentes da agremiação passavam pelo lado do carro alegórico, parado para o atendimento, e continuavam o desfile. O clima é de tensão: componentes choravam, enquanto a diretoria pensava como continuar o espetáculo.

— A Tijuca é muito maior que isso. O resto da escola tem que brindar o público. É difícil falar (sobre as causas do acidente). Estamos esperando a liberação da alegoria por conta do atendimento. O desfile corre, entre aspas, normalmente — disse um diretor da escola.

Mesmo que as alas da agremiação ultrapassassem a lateral da alegoria, os outros carros permaneciam parados sem perspectiva de entrarem na Sapucaí. A estratégia foi carregar o carro acidentado até o primeiro recuo da bateria.

A rainha da bateria, Juliana Alves, notou que algo estava errado pelo olhar dos integrantes que passavam à sua frente. Ela tentou ocupar o espaço que percebeu diante da sua ala até que chegassem os primeiros componentes.

— Dentro do que aconteceu, a gente fez o melhor que a gente pôde e conseguiu evoluir dentro das circunstâncias, mostrando os carros maravilhosos, as fantasias belíssimas e a força da família tijucana — ressaltou, emocionada, no estúdio da "TV Globo".

 

Ambulância na pista pode ser acionada para atender feridos após teto de carro ceder

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