Tudo começou com um convite entre amigas: parar por algumas horas, deixar as preocupações cotidianas de lado e fazer artesanato. Sem grandes pretensões, aquele momento de descanso em meio à rotina acabou despertando o interesse de outras pessoas. Vieram novos encontros, novas técnicas e novos participantes.
Nascia, assim, o Pausa e Pincel – Arte e Relaxamento, projeto que vem transformando atividades manuais em experiências de criatividade, convivência e bem-estar em Campo Grande.
À frente da iniciativa estão Thaise Siqueira Sorgatto, advogada, e Anne Baptista, esteticista. Apesar das profissões distintas, as duas conhecem bem uma realidade compartilhada por muita gente: dias divididos entre trabalho, casa, família e uma lista de compromissos que parece nunca terminar.
“A Anne me chamou para fazer artesanato como uma pausa nesse stress diário. O que era para ser só nosso rapidamente atraiu mais pessoas e o grupo cresceu de forma muito natural”, relembra Thaise.
Foi justamente esse crescimento espontâneo que fez as amigas enxergarem uma oportunidade. Mais pessoas também estavam procurando momentos para desacelerar, conversar, experimentar algo diferente e simplesmente aproveitar algumas horas longe das obrigações.
A experiência entre amigas, então, ganhou nome e saiu em busca de novos espaços.
Uma pausa que começou a circular pela cidade
O Pausa e Pincel passou a realizar encontros criativos em cafeterias, restaurantes e condomínios de Campo Grande. Atualmente, são promovidas duas oficinas por mês em locais diferentes, além de eventos fechados, como aniversários, chás de lingerie e reuniões entre amigos.
Embora as mulheres sejam maioria entre os participantes, a experiência é aberta a diferentes públicos. Casais e crianças também já passaram pelas oficinas.
E o que começou pequeno ganhou proporções que surpreenderam as próprias criadoras: em um único dia, o projeto já conseguiu reunir 30 participantes.
A proposta, entretanto, não é formar artesãos nem oferecer um curso convencional. “Não é uma escola de artesanato. É a descoberta de um novo hobby. Por isso, cada encontro é um artesanato diferente”, explica Thaise.
É justamente essa diversidade que ajuda a construir a identidade do projeto. A cada edição, uma nova possibilidade pode surgir sobre a mesa.
Algumas técnicas são dominadas pelas próprias idealizadoras. Para outras, elas convidam professoras, artesãs e profissionais parceiras, permitindo que o público tenha contato com diferentes formas de expressão artística.
Não é preciso chegar sabendo pintar, bordar ou produzir qualquer tipo de artesanato. A ideia é justamente experimentar.
O que fica depois da oficina
Tintas, pincéis, linhas e outros materiais fazem parte dos encontros, mas, para Thaise e Anne, o resultado mais importante não é necessariamente a peça pronta. Está no que acontece durante o processo.
Por algumas horas, os participantes se concentram em algo feito com as próprias mãos. Conversam, aprendem, erram, tentam novamente e compartilham a experiência com quem está sentado ao lado.
Para as idealizadoras, perceber como as pessoas terminam cada encontro é uma das principais razões para continuar.
“O maior prêmio para nós é ver o feedback ao final de cada encontro, de mulheres leves, felizes, que desligaram dos problemas por algumas horas e se reconectaram com a própria capacidade de criar”, afirma Thaise.
É nesse ponto que o nome Pausa e Pincel ganha sentido. O pincel representa a experiência artística, mas é a pausa que ajuda a explicar por que a iniciativa conquistou espaço.
Mais do que ensinar uma técnica, o projeto cria uma oportunidade para interromper a velocidade do cotidiano e dedicar algumas horas a uma atividade sem a pressão de produtividade ou perfeição.
Do bordado em fotografia ao ‘Pintando o Futuro’
E se cada encontro deve proporcionar uma descoberta, a busca por novidades também faz parte dos planos das idealizadoras. Uma das próximas oficinas será dedicada ao bordado em fotografia, técnica que utiliza linhas para criar intervenções sobre imagens e mistura artesanato, criatividade e memória afetiva.
Mas outra novidade promete ampliar ainda mais a proposta do Pausa e Pincel. O projeto “Pintando o Futuro” vai unir pintura em gesso a um momento de reflexão conduzido por uma psicóloga parceira. A experiência terá ainda um lanche especial e uma conversa leve sobre futuro, escolhas e profissões.
“Vamos unir a pintura em gesso a um momento de reflexão guiado por uma psicóloga parceira, com direito a um lanche especial e uma conversa leve sobre o futuro, escolhas e profissões”, explica Thaise.
A proposta mostra que, pouco a pouco, o Pausa e Pincel começa a explorar caminhos que vão além das atividades manuais, sem abandonar aquilo que motivou sua criação.
“Nosso objetivo é continuar trazendo propostas que alimentem não só a criatividade, mas também a mente e as conexões humanas”, destaca a idealizadora.
O que nasceu como um convite de Anne para Thaise desacelerar por algumas horas hoje reúne pessoas que talvez estejam procurando exatamente a mesma coisa.
A técnica muda. O espaço muda. As pessoas ao redor da mesa também. Mas a proposta permanece: parar, criar e se permitir viver algumas horas em um ritmo diferente.
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Entre sorrisos, arte e boas conversas, participantes encontram no Pausa e Pincel um momento para deixar a correria de lado e aproveitar o presente - Arquivo Pessoal