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Mato Grosso do Sul sai na frente na captura de carbono e no desenvolvimento sustentável

Na UEMS, em Aquidauana, surgem iniciativas que entrelaçam ciência, inovação e preservação ambiental,

22 Set 2025 - 09h14Por Alexandre Gonzaga, Comunicação do Governo de MS

Mato Grosso do Sul desponta como referência da agenda verde, provando ao País e ao mundo que é possível conciliar crescimento econômico com respeito ao meio ambiente. Alinhado ao programa estadual Carbono Neutro 2030, o Estado não apenas avança, mas serve de exemplo, apontando caminhos concretos para enfrentar os desafios climáticos.

Na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), em Aquidauana, surgem iniciativas que entrelaçam ciência, inovação e preservação ambiental, promovendo um diálogo harmonioso entre culturas produtivas e natureza. O objetivo é claro e inspirador: recuperar áreas degradadas e impulsionar uma produção sustentável que, ao mesmo tempo, gera riqueza e cultiva um futuro mais verde.

Esses projetos se integram à educação ambiental e ao planejamento sustentável, em sintonia com a celebração do Dia da Árvore (21 de setembro), um momento dedicado à conscientização ecológica e à valorização da conservação do meio ambiente.

PackSeed: Na UEMS de Aquidauana, surgem iniciativas que entrelaçam ciência, inovação e preservação ambiental

Entre os destaques está o PackSeed – Inovação na Dispersão de Sementes, projeto desenvolvido em parceria com a startup EcoSeed, voltado à recuperação de áreas degradadas de forma mais econômica. À frente do projeto estão Allan Motta Couto, docente da UEMS de Aquidauana, engenheiro florestal e doutor em Tecnologia de Produtos Florestais, e Adriana Soares Luzardo Couto, docente do CEPA (Centro Educacional Profissional de Aquidauana), engenheira florestal, engenheira agrônoma e doutoranda em Agronomia.

Segundo Allan Motta Couto, “nosso protótipo performou bem em escala laboratorial e agora vamos validá-lo em situação real de campo ainda este ano. O projeto não tem como foco principal o sequestro de carbono, mas é inevitável que ele contribua para a fixação de carbono atmosférico.”

Adriana Luzardo Couto acrescenta que “o PackSeed busca viabilizar a recuperação de áreas degradadas de forma acessível, tornando a tecnologia aplicável para produtores e instituições que desejam recuperar solos ou reflorestar suas propriedades.”

Projeto sustentável do Louro-Preto (Cordia glabrata)

Outro projeto estratégico é o uso sustentável do Louro-Preto (Cordia glabrata), desenvolvido em conjunto com a EMBRAPA Pantanal, que atua na produção de mudas, arborização de pastagens e melhoria do bem-estar animal.
“Trabalhamos diferentes densidades arbóreas para avaliar o efeito na pastagem e possibilitar ou não a arborização visando a produção pecuária. O foco não é carbono, mas sim proporcionar clima adequado para melhor desempenho na produção e bem-estar do animal”, explica Couto.

O projeto “Sistema ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) no Ecótono Cerrado-Pantanal” é outro destaque da UEMS, avaliando o potencial produtivo e a captura de carbono em áreas de integração, com ênfase no cultivo de eucalipto em ambientes pecuários.

De acordo com Motta, em um sistema ILPF cujo crescimento florestal chega a 20 m³ por hectare ano, estima-se que haja imobilização de 18 toneladas de CO2 ao ano por hectare, isso considerando apenas o tronco das árvores.

Allan Motta Couto, docente da UEMS

“Ou seja, para cada hectare com o sistema ILPF equivale a emissão de nove carros por ano, aproximadamente”, explica.

Ele acrescenta ainda que a ideia é difundir informação e estimular os produtores, demonstrando que a “integração arbórea na produção de carne é viável e sustentável”, observa o pesquisador da UEMS.

“Na região de Aquidauana, praticamente nenhum produtor utiliza eucalipto ou pastagem arborizada para produção de pecuária. Nosso experimento busca mudar essa mentalidade, mostrando que o componente arbóreo pode gerar benefícios ambientais e produtivos.”

Outro ponto relevante é que a produção pecuária apresenta muita emissão de gases do efeito estufa. Estes são mitigados pelas árvores do próprio sistema de produção, tornando a atividade com menor potencial poluidor.

Entre 2022 e 2024, a engenheira agrônoma Larissa Pereira Ribeiro Teodoro, da UFMS, participou de um estudo financiado pela Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) que avaliou a contribuição das florestas plantadas de eucalipto para a meta do Governo de MS de neutralidade de carbono até 2030.

Segundo Larissa Teodoro, após dois anos de pesquisa, realizados em diferentes usos e ocupações do solo nos três biomas do Estado - Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica -, comprovou-se que a cultura do eucalipto apresenta menor emissão de dióxido de carbono (CO) pelo solo quando comparada a outros sistemas de cultivo avaliados, como pastagens. Além disso, a espécie demonstrou altos valores de estoque de carbono no solo.

Projeto “Sistema ILPF no Ecótono Cerrado-Pantanal” é outro destaque da UEMS

“Este resultado é relevante para estratégias que unem economia e sustentabilidade no Estado, pois evidencia que a silvicultura pode funcionar como um sistema de produção com menor emissão de carbono. Uma estratégia ainda mais eficiente seria o cultivo de eucalipto em sistemas integrados, como pecuária-floresta, que promovem, além da sustentabilidade, maior diversidade de produção e melhor bem-estar animal”, explica a engenheira.

Ela salienta que “o avanço da silvicultura no Estado tende a contribuir não apenas para a economia, mas também para que alcancemos a meta de Estado Carbono Neutro. Entretanto, a estratégia mais interessante é a adoção de sistemas integrados, como a pecuária-floresta, que combinam produção e preservação ambiental de forma eficaz”.

Segundo informações da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), cinco dos dez municípios brasileiros com maiores áreas de florestas plantadas no Brasil estão no Mato Grosso do Sul.

Para o ano de 2025, esses cinco municípios, Ribas do Rio Pardo (463 mil hec), Três Lagoas (331 mil hec), Água Clara (182 mil hec), Brasilândia (151 mil hec) e Selvíria (110 mil hec) juntos somam mais de 1 milhão de hectares de florestas plantadas (SIGA/MS), o que configura o Mato Grosso do Sul como o segundo colocado nacional em área de florestas plantadas.


 

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