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Justiça cassa diploma de prefeita eleita flagrada dando dinheiro a eleitor

11 Nov 2016 - 09h25Por Campo Grande News

A Justiça Eleitoral cassou o diploma de Ilda Salgado Machado (PR), prefeita eleita em Fátima do Sul, a 246 quilômetros de Campo Grande. Ela é acusada de comprar votos.

O crime foi flagrado em um vídeo, em que a candidata aparece entregando dinheiro a um eleitor. A defesa tentou desqualificar a prova e o relato da testemunha, mas não teve êxito.

Conforme a sentença, o homem que registrou as imagens alegou, em depoimento, que foi procurado em 22 de setembro por cabos eleitorais de Ilda, que é mãe da deputada estadual Grazielle Machado (PR) e mulher do ex-parlamentar Londres Machado (PR).

Eles avisaram que a candidata estaria no bairro naquele dia distribuindo dinheiro e pediram que escrevesse um bilhete solicitando proposta para deixar de votar no rival dela, o atual prefeito de Fátima do Sul, Junior Vasconcelos (PSDB).

Ilda cumpriu o prometido. Foi até a residência e pediu para entrar, pois conforme o depoimento, não poderia tratar daquele assunto em público.

O eleitor ligou a câmera dentro do imóvel e registrou toda a transação. A candidata ofereceu R$ 500 pelo voto dele e mais R$ 200 pelo da esposa da testemunha, sugerindo que ele usasse o dinheiro para “fazer um churrasquinho bem gostoso”.

A defesa dela afirmou inicialmente que o vídeo não poderia ser usado como prova, uma vez que teria sido obtido de maneira ilegal (às escondidas) e estava editado. A Justiça refutou o primeiro argumento e pediu que uma cópia integral fosse anexada ao caso e periciada. A Polícia Federal analisou o conteúdo bruto e constatou que ele era verdadeiro.

A candidata então contou uma versão diferente dos fatos. Afirmou que estava no bairro fazendo campanha e foi abordada pelo eleitor. Ele disse estar passando por dificuldades e pediu dinheiro. Ilda diz ter recusado, mas diante da insistência, aceitou contratar aquele homem como cabo eleitoral.

Nessa história, o dinheiro entregue diante da câmera escondida seria um adiantamento pelo serviço. Ilda relata ainda que seus funcionários procuraram o homem no dia seguinte para assinar o recibo, mas não o encontraram.

Entretanto, a versão do eleitor ganhou força quando a polícia encontrou, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa de um dos cabos eleitorais de Ilda, o bilhete assinado pela testemunha pedindo proposta para mudar sua opção de escolha.

Além disso, vários depoimentos ajudaram a corroborar essa versão dos fatos, inclusive acrescentaram que a testemunha teve que mudar de cidade após ser ameaçada e procurada por diversas pessoas para “negociar” a retirada da denúncia. 

Diante dos fatos, a juíza Rosângela Alves de Lima Fávero condenou Ilda por compra de votos e, além de cassá-la, aplicou multa de 100 unidades fiscais, o que corresponde a aproximadamente R$ 2,4 mil, levando em consideração a Uferms (Unidade Fiscal Estadual de Referência de Mato Grosso do Sul).

Se a decisão se tornar definitiva, uma nova eleição deve ser convocada para Fátima do Sul.

Outro lado - A advogada Caroline Mendes Dias, que representa Ilda no processo, diz que irá recorrer da decisão assim que ela for publicada. Segundo ela, o eleitor confessou que o vídeo e a história contada à Justiça foi uma armação e negou ter pedido voto.

“Nós até nos surpreendemos com essa decisão por um lado e não nos surpreendemos por outro, porque os ânimos em Fátima do Sul estão acirrados. Sabíamos até das dificuldades do Judiciário se colocar para um lado ou para o outro. Essa decisão não é dentro do que está no processo, que foi armação”.

Ela acredita que em Campo Grande, onde são analisadas em segunda instância as ações, os magistrados do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) terão uma interpretação mais coesa dos fatos.

Com relação às ameaças, algumas partindo de Londres Machado, a advogada diz que relatos de várias testemunhas negam a informação, inclusive parentes do denunciante, que disseram tê-lo procurado por saberem que ele estava fazendo “coisa errada” e pediram que ele consertasse a situação.

“Para mim, está muito claro. Não houve represália de ninguém”, conclui a advogada.

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