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Exercício físico deve passar a ser receitado para a saúde cerebral

Por Redação
(3 min de leitura)
© José Cruz/Agência Brasil

A prática de exercício físico não deve ser apenas um conselho médico sobre o estilo de vida e tem de passar a ser receitada como tratamento para a saúde cerebral, defendem pesquisadores de universidades canadenses.

Em artigo publicado hoje (3) na revista científica Brain Health, Carl Zhou e Nicholas Fabiano, da Universidade de Ottawa, e Stanley Wong, da Universidade de Toronto, alegam que o exercício físico não pode ser uma "sugestão para ser descartada no final de uma consulta", mas sim um tratamento que "merece ser prescrito como tal".

Na publicação, os pesquisadores dos departamentos de psiquiatria das duas universidades destacam que a saúde cerebral significa manter o funcionamento cognitivo, emocional, comportamental e social ao longo da vida e o "exercício físico impacta em quase todas essas áreas".

Considerando que não se trata apenas de um mero estilo de vida, o artigo baseado na análise de vários estudos lembra que a prática da atividade física atua em vários aspetos da função cerebral, que depende de vasos sanguíneos saudáveis, de um metabolismo equilibrado, de uma inflamação controlada e da neuroplasticidade.

Cita o exemplo de um ensaio clínico feito com adultos mais velhos, publicado em 2011, que concluiu que o exercício aeróbico aumentou o volume do hipocampo anterior do cérebro, melhorando a memória das pessoas envolvidas.

"Ainda temos a tendência de  tratar o exercício como um conselho geral sobre o estilo de vida. As provas que analisamos apoiam uma prescrição que especifique o tipo de atividade, a frequência, a intensidade, a duração, as considerações de segurança e um plano de seguimento, como faríamos com um medicamento", afirmou Carl Zhou.

De acordo com o artigo, as conclusões e metas analíticas indicam também que as intervenções com atividade física podem reduzir os sintomas depressivos, a ansiedade, o sofrimento psicológico e os desfechos relacionados com o suicídio.

Uma análise de ensaios de 2024 descobriu que a caminhada, a corrida, o ioga e o treino de força reduziram os sintomas de depressão, com os maiores efeitos geralmente observados nas atividades praticadas com intensidade mais elevada.

A publicação dá especial atenção à esquizofrenia e a outras doenças mentais graves, que apresentam elevadas taxas de comportamento sedentário, doenças cardiometabólicas e mortalidade prematura.

"Na esquizofrenia, o exercício pode atuar nos sintomas psiquiátricos, na cognição e na saúde física simultaneamente, numa população com necessidades substanciais não satisfeitas em todas as três áreas", ressaltou Stanley Wong.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 150 a 300 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada por semana para adultos, ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias.

No caso da depressão, que consome energia e motivação, os investigadores defendem que o primeiro passo pode ser pequeno, como um passeio de cinco minutos, exercícios na cadeira ou a realização de uma atividade do dia a dia, como passear com o cão.

"O ponto de partida não tem de ser impressionante. Tem de ser o possível. Pequenos sucessos repetidos constroem a autoeficácia e o hábito, e é isso que cria as condições para uma atividade sustentada", disse Nicholas Fabiano, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Ottawa.

fonte: a g e n c i a b r a s i l

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