Menu
sexta, 16 de abril de 2021
Busca
BONITO AGUAS DE BONITO JANEIRO

Moradores do interior morrem em busca de atendimento médico em Campo Grande

27 Mai 2011 - 17h17Por Midiamax - Pio Redondo

Quando a vida está por um fio no interior do MS, as famílias que dependem do tratamento público sabem que, antes de tudo, têm de recorrer à fé. É uma espécie de convivência forçada com o destrato, que varia da resignação à revolta, quando o desamparo resulta na perda de familiares e entes queridos.

Dois casos recentes ocorridos em Porto Murtinho, nesse ano de 2011, retratam a situação que se espelha na maioria dos municípios carentes de atendimento público de saúde, principalmente nos casos emergenciais.

Um dos casos é o do jovem Edward Espindola, de 21 anos, falecido em 16 de janeiro. Ele foi ferido à faca numa festa da cidade. Logo no primeiro atendimento que recebeu, o Corpo de Bombeiro diagnosticou alta possibilidade de hemorragia interna no rapaz.

Quando ele morreu, no hospital de uma cidade vizinha, Caracol, a certidão de óbito indicou como causa da morte hemorragia interna, com falência do sistema cardiovascular. Mas não havia meios para estancar o sangramento e nem repor o sangue que se esvaia.

Pelo que o pai, Eládio Espíndola contou, tratou-se de uma sequência de horrores que combinou descaso, incompetência e falta de estrutura pública de saúde na região. A mãe, Sebastiana, que cuida dos dois netos pequenos e órfãos, ainda não caiu em si. Ela fala que a filha de Edward, quase um bebê, sente tanta falta do pai e se agarra às roupas dele.

No depoimento ainda sentido do pai e da mãe, toda a história do pesadelo que se abateu sobre a família, sem data para ser superado.

Outro caso envolvendo uma menina recém nascida tem tanta semelhança com a morte de Edward, que a hipótese de negligência médica eventual, ou isolada, pode ser descartada de saída.

A menina Yasmin, com cinco dias de vida, deu entrada no mesmo hospital municipal de Porto Murtinho com problemas de icterícia e febre. Foi consultada e teve alta imediata.

O avô, Carlos Alberto Gonzáles, inconformado com a perda da netinha, foi quem deu o primeiro alarme. “A menina não está boa, o médico não podia ter dado alta assim”, alertou. Providenciando a reinternação imediata, em busca de cura para Yasmin, jamais imaginaria que, um dia depois, estaria chorando a morte da primeira netinha.

A mãe Cristiane acredita que uma intubação mal feita, por técnicos de enfermagem despreparados, provocou uma ruptura interna nos órgãos respiratórios da recém nascida. O atestado de óbito descreve uma hemorragia interna nas vias respiratórias como uma das causas da morte da falência circulatória. Mas, como Edward, não teve chances de cura. E, estranhamente, recebeu dois atestados de óbito diferentes.

No caso do jovem, segundo o pai, a secretaria de Saúde de Porto Murtinho confirmou que ele teria tratamento em Caracol. Ao chegar lá, não havia médico e nem sangue para repor a hemorragia.

Yasmin, ao contrário, demorou tanto para ser transferida, que nem conseguiu chegar com vida a cidade vizinha, depois de hora de sofrimento è espera de remoção. Quando a ambulância parou na estrada, o motorista desceu e avisou à família que não adiantaria mais seguir em frente.

Quando a vida está por um fio no interior do MS, as famílias que dependem do tratamento público sabem que, antes de tudo, têm de recorrer à fé. É uma espécie de convivência forçada com o destrato, que varia da resignação à revolta, quando o desamparo resulta na perda de familiares e entes queridos.

Dois casos recentes ocorridos em Porto Murtinho, nesse ano de 2011, retratam a situação que se espelha na maioria dos municípios carentes de atendimento público de saúde, principalmente nos casos emergenciais.

Um dos casos é o do jovem Edward Espindola, de 21 anos, falecido em 16 de janeiro. Ele foi ferido à faca numa festa da cidade. Logo no primeiro atendimento que recebeu, o Corpo de Bombeiro diagnosticou alta possibilidade de hemorragia interna no rapaz.

Quando ele morreu, no hospital de uma cidade vizinha, Caracol, a certidão de óbito indicou como causa da morte hemorragia interna, com falência do sistema cardiovascular. Mas não havia meios para estancar o sangramento e nem repor o sangue que se esvaia.

Pelo que o pai, Eládio Espíndola contou, tratou-se de uma sequência de horrores que combinou descaso, incompetência e falta de estrutura pública de saúde na região. A mãe, Sebastiana, que cuida dos dois netos pequenos e órfãos, ainda não caiu em si. Ela fala que a filha de Edward, quase um bebê, sente tanta falta do pai e se agarra às roupas dele.

No depoimento ainda sentido do pai e da mãe, toda a história do pesadelo que se abateu sobre a família, sem data para ser superado.

Outro caso envolvendo uma menina recém nascida tem tanta semelhança com a morte de Edward, que a hipótese de negligência médica eventual, ou isolada, pode ser descartada de saída.

A menina Yasmin, com cinco dias de vida, deu entrada no mesmo hospital municipal de Porto Murtinho com problemas de icterícia e febre. Foi consultada e teve alta imediata.

O avô, Carlos Alberto Gonzáles, inconformado com a perda da netinha, foi quem deu o primeiro alarme. “A menina não está boa, o médico não podia ter dado alta assim”, alertou. Providenciando a reinternação imediata, em busca de cura para Yasmin, jamais imaginaria que, um dia depois, estaria chorando a morte da primeira netinha.

A mãe Cristiane acredita que uma intubação mal feita, por técnicos de enfermagem despreparados, provocou uma ruptura interna nos órgãos respiratórios da recém nascida. O atestado de óbito descreve uma hemorragia interna nas vias respiratórias como uma das causas da morte da falência circulatória. Mas, como Edward, não teve chances de cura. E, estranhamente, recebeu dois atestados de óbito diferentes.

No caso do jovem, segundo o pai, a secretaria de Saúde de Porto Murtinho confirmou que ele teria tratamento em Caracol. Ao chegar lá, não havia médico e nem sangue para repor a hemorragia.

Yasmin, ao contrário, demorou tanto para ser transferida, que nem conseguiu chegar com vida a cidade vizinha, depois de hora de sofrimento è espera de remoção. Quando a ambulância parou na estrada, o motorista desceu e avisou à família que não adiantaria mais seguir em frente.

Deixe seu Comentário

Leia Também

VÍDEO - ROUBO
VÍDEO: Ladrão leva Gol em menos de um minuto em MS
FOTO: RETIRADA DA LIVE ÁGUA NEGRA CONFUSÃO EM CAMPO
Após briga generalizada, policial atira em direção ao chão em jogo classificatório no estadual de MS
CHEGOU MAIS VACINA AO MS
CHEGOU: 13º lote com 77,9 mil doses da vacina contra Covid e já começa a distribuição aos municípios
luto ÓBITOS POR COVID EM MS
Bebê de menos de 1 ano e um adolescente de 15 anos estão entre as 50 mortes nas últimas 24h em MS
Morador (de camisa vermelha) e bombeiros tentam conter o suspeito (Foto: Henrique Kawaminami) - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS DEU RUIM - DEU POLÍCIA
DEU RUIM: Atrapalhado, ladrão invade casa e acaba atacado por enxame de abelhas
Foto: Toninho Souza/Assessoria deputado Renato Câmara AÇÕES DEPUTADO RENATO CÂMARA
Renato Câmara apresenta indicação para reinserção de pessoas com sequelas da Covid-19
BONITO - MS - PROTEÇÃO CONTRA COVID
SAS faz distribuição de máscaras de proteção e álcool em gel para famílias do SCFV em Bonito
BONITO - MS - "FLUTUA QUE PASSA"
Com balneários 100% abertos para flutuação e mergulho, veja como reservar em Bonito (MS)
AÇÃO DA PMA
Após denúncia que o rio da Prata estava ficando com turbidez na água, pecuarista é multado
Imagem Ilustrativa - Crédito: André de Abreu ACIDENTE FATAL
Mulher sem capacete cai da garupa de moto e morre em MS