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BONITO - MS - POUSADAS E AGÊNCIAS FECHANDO

Em Bonito (MS), Empresários não conseguem acesso ao crédito, diz secretário Augusto Mariano

Em Bonito (MS), Empresários não conseguem acesso ao crédito, diz secretário Augusto Mariano

23 Mai 2020 - 21h20Por Correio do Estado

Alguns setores da economia tem sofrido mais que outros durante a pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19). O turismo de Mato Grosso do Sul tem sentido com a falta de arrecadação no setor. Com mais de 70 dias com o faturamento zerado, o principal destino sul-mato-grossense, Bonito já registra incerteza na sobrevivência de negócios. A principal dificuldade, segundo o secretário de Turismo, Indústria e Comércio de Bonito, Augusto Mariano, é a tomada de empréstimos.  

No mês passado, 34% das empresas do setor tiveram faturamento zero, conforme pesquisa do Observatório do Turismo (ObservaturMS), da Fundação de Turismo do Estado (Fundtur-MS), e 8% delas tiveram de encerrar as atividades. “Oficialmente nós não temos ainda nada que tenha chegado até a Secretaria falando sobre o fechamento definitivo de hotéis ou pousadas. O que nós temos acompanhado é um estresse muito grande, principalmente das pequenas hospedagens, hotéis e pousadas, aqueles que têm administração mais familiar que pagam aluguéis altos”, disse o secretário Augusto Mariano.

Mariano explica que além de tentar a negociação com os proprietários dos locais, os empresários estão com dificuldade para conseguirem empréstimos. “Os que pagam, aluguel ou arrendamento, tem procurado negociar diretamente com os locadores para que eles reduzam o valor durante o tempo em que o meio de hospedagem estiver fechado, alguns com sucesso outros não. A principal reclamação que nós temos ouvido dos empresários é que esse crédito que o governo federal disponibiliza como capital de giro, para que os negócios continuem funcionando após a pandemia, não tem chegado na ponta, os bancos não disponibilizam esses recursos e quando oferecem são juros elevados, prazos curtos e exigência de muitas garantias”, ressaltou o secretário.

A atividade turística é o maior empregador e o maior investidor  da cidade. De acordo com o secretário são mais de 7 mil empregos diretos e dois mil indiretos. “A arrecadação que a atividade turística deixa no município, em todos os segmentos da cadeia produtiva do turismo, gira ao redor de  R$ 340 milhões por ano. Sendo na alta temporada um giro diário de R$ 1 milhão, na baixa temporada 40% a 50% disso. Você imagina o problema que nós temos sentido com o faturamento da cadeia produtiva do turismo dos empreendimentos turísticos cair a zero”, reforçou Mariano.  

Conforme noticiado pelo Correio do Estado, de acordo com o presidente da Associação Bonitense de Agências de Ecoturismo (Abaetur), Gustavo Diniz Romeiro, com mais de 70 dias sem movimento, empresas já fecharam as portas. “Estamos todo esse período sem receita. De agência de turismo só sei de uma que fechou, mas pousadas tem seis que encerraram atividades, e no comércio, pelo menos uns 30 fechamentos”, disse.  

RETOMADA

A flexibilização nas regras de isolamento na cidade foram anunciadas nesta semana. Conforme decreto, a partir do dia 1° de junho, hotéis, pousadas e atrativos estão autorizados a reabrir obedecendo aos protocolos de biossegurança. Segundo o presidente da Abaetur, a retomada da movimentação só deve acontecer no mês seguinte. “A gente espera a reabertura dos atrativos e das agências a partir de julho. Além dos protocolos a serem adotados, temos ainda o período que é de baixa temporada”, explicou Romeiro.

O secretário municipal acredita que as hospedagens menores conseguirão retomar a movimentação já em junho. “Com a reabertura gradativa responsável quem primeiro vai ter público são esses pequenos meios de hospedagem. Porque irão atender os representantes comerciais, os vendedores, os mecânicos que vem dar assistência técnica para as máquinas do agronegócio. Hoje eles têm vindo à Bonito, fazem a sua actividade durante o dia e vão à Jardim para dormir. No outro dia, retornam para dar continuidade aos seus trabalhos. Então com as pousadas funcionando aqui, eles poderão pernoitar em nossa cidade”, concluiu o secretário Augusto Mariano.

PESQUISA

Levantamento do ObservaturMS aponta ainda que 17,8% dos empresários foram obrigados a buscar financiamentos e empréstimos e 15,7% tomaram medidas como conceder férias, licenças e até demitir. Maio seguirá com zero faturamento para 33%, mas permeado de muita incerteza por 29% dos entrevistados, que sinalizaram não ter como estimar as perdas.

Estudo ainda aponta que 31,6% dos empresários entrevistados conseguem trabalhar por um ou dois meses com o capital de giro. Foram 402 pessoas consultadas entre 8 e 27 de abril, em 39 municípios.

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