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ARTIGO - DIA DOS PAIS

ARTIGO: "O cajueiro de meu Pai", á Waldemar Martins

ARTIGO: "O cajueiro de meu Pai", á Waldemar Martins

9 Ago 2020 - 13h13Por BOSCO MARTINS

ARTIGO - Depois  que  meu pai plantou um pé de cajueiro no quintal  de casa, 
descobri  porque Deus criou cajueiros. 
Foi para sempre  lembrar  de meu  Pai.

O que decora minha casa  agora é  esse  cajueiro bem grandão, no quintal e que 
eu  o chamo  "de meu Pai."  
Porque vejo  a presença  dele no cajueiro todos os dias. 
E  em todas  as plantas  e árvores  que meu pai  plantou  aqui chácara. 
Todo o mundo que chega  na minha casa 
fica encantado com o cajueiro de "meu  Pai." 
Ele é  grandão mesmo,  em abundância, 
como  era abundante meu pai, em destribuir   suas frutas, doces e alegria  de viver. 

Eu tenho orgulho de dizer pra pessoas, 
esse é  meu Pai: é meu amigo! É meu Pai!!
 
Imagino  que alguns  riem  de mim. 
Quem já viu árvore ser amiga de gente? 
Deve ser assim que pensam   algumas pessoas que visitam  minha casa.
Eu penso  que  Deus criou cajueiros e as plantas  que o Pai  plantou para que nunca  esqueçamos dele e das pessoas  que amamos. 
E também  para ser amigo  do menino  que ainda existe  em nós. 
Embora já transformado  em homem,   perpetuou em mim  a mesma    essência  do menino  e seu pai que plantava  árvores  e cajueiros. 
O menino solitário,  desse  mundo  cada vez mais caduco,  e que ainda morre   de medo das pessoas grandes, feitas  de maldade  e dor no coração. 

Por isso,   eu e meu cajueiro Pai  cada vez mais  nos transformamos  numa só pessoa.
Tenho  me sentido um cajueiro  nesses  tempos  de isolamento e solidão.
 
Para quem tem  irmãos, amigos,  família distante e  convive  com pessoas de mentira,  é  necessidade  ter o  cajueiro  como amigo.

Meu  cajueiro Pai  gosta  de conversar comigo  de madrugada, e quase todas as noites eu abro  a porta da cozinha bem devagarzinho para não fazer barulho e vou  conversar 
com ele.
São  conversas meio assim, sei lá, assim, conversas, de pai com filho, 
enfim...são  conversas. 
As vezes é  tanta  conversa  e saudade  que acabo  dormindo  embaixo do cajueiro pai.

Tem vezes que  escuto a voz do meu cajueiro me chamando de madrugada para ir ficar perto dele, porque mais medo tinha eu dele adoecer e eu não  poder  estar  ao lado  dele. 
Então, o combinado  era um fazer  companhia para o outro. 
A gente gostava de olhar à lua juntos quando  eu criança. 
O  meu cajueiro Pai até  hoje tem mania de apagar a luz do quintal para apreciarmos  as noites de lua cheia! 
De vez em quando, apareciam bons vaga-lumes, nas noites que passei com ele fazendo  poesia  da escuridão  iluminada.

Mas quando meu cajueiro  adoeceu, 
adoeci também  com ele de uma dor incurável. Clamei, orei, pedi pelo amor 
de Deus  que curasse o meu cajueiro.
 
Fosse Deus, o médico ou biólogo eu orei tanto  para  alguém curar  dor de meu pai. 
Vou lhes revelar  um segredo até hoje,  
choro por não  ter abraçado meu cajueiro Pai, pela última  vez.  
Ando até  hoje  vestido  dessa  tristeza infinita, por causa  daquele  dia!!

Naquela dia em que o pai se foi,  
quando  abri  a porta da cozinha da minha casa, encontrei o  cajueiro  e suas folhas verdes e secas espalhadas por todo o nosso quintal.

A gente pensa que vai morrer quando perde alguém que amamos tanto, mas não morremos. A gente renasce para outro sol passamos a viver  na esperança  do reencontro para o perdão  e a gratidão  por tudo  que o cajueiro  nos deixou  e representou.
Chorei  todas as minhas lágrimas e depois às que me emprestaram os pássaros e as árvores.  
Eu pensava  todos  os dias no meu cajueiro 
e ele olhava para mim, quieto, sem nem balançar um galho sequer.
Todas as noites, rezei a Deus para curar meu cajueiro. E todos os dias, pedia  para  Deus  ajudar a  salvar o meu  cajueiro amado. 

A coisa mais difícil do mundo foi ter passado  a vida  longe  do meu cajueiro.  
Nem tive tempo de me despedir do meu cajueiro, quando  partiu e sofro por isso. 

Quando  a gente  ama  alguém  a coisa  mais difícil  desse mundo é  ficar  longe  de quem amamos  imagine, uma vida toda então.  Quando  bate saudade  do meu cajueiro, 
para acabar com a saudade 
volto aqui  para casa e a primeira coisa que faço  é  abraçar meu cajueiro. 
Quer dizer abraçar parte do tronco dele. 
É um tronco bem  gostoso  de abraçar,
como  o abraço de meu Pai!!

Tem vezes que ele parece ainda  estar  
bravo comigo,  por eu não ter conseguido chegar a tempo  do nosso  último  abraço. Parece não ter aceitado  minhas desculpas, 
e eu como sabia fazê-lo sorrir, começo 
a fazer cócegas nas suas folhas. 
Então, ele sorri muito novamente me pedindo para eu parar.

Nesse  dia dos Pais eu e o cajueiro, vamos  passar  a noite  assim  contemplando a lua.

Era assim que  a gente fazia: 
a gente só olhava. Nada mais.

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