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Queimadas no Pantanal

Março registra recorde no número de queimadas do Pantanal

Foram 602 focos de incêndio este ano contra 141 em março de 2004, segundo maior registro da história

4 Abr 2020 - 15h13Por Redação/Assessoria de Imprensa

As “águas de março” não vieram para fechar o verão em 2020. Poucas chuvas, tempo seco e radiação térmica contribuíram para um número recorde de queimadas no Pantanal. Nos últimos 30 dias 602 focos de incêndio assolaram a região, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Este número é 547% maior que o do ano passado, quando foram registrados 93 focos de incêndio, e 327% maior que as 141 queimadas que ocorreram em março de 2004, que agora passa a ser o segundo maior número desde  quando o Inpe começou a fazer os registros de queimadas nos biomas do Brasil, em 1998.

Corumbá (MS) segue sendo a cidade com maior número de incêndios da região e do país: foram 650 de 1º de janeiro até 31 de março. Poconé (MT), que também está situada no Pantanal, registrou 240 incêndios durante o último mês. Já no primeiro trimestre de 2020 foram registradas 1.031 ocorrências, contra 641 em 2019, um salto de 60%.

A Wetlands International no Brasil acompanha este aumento exponencial e publicará semanalmente nas redes sociais (Facebook e Twitter) e no site, informações sobre a situação.

Em nosso último boletim havia sido registrado 545 focos de incêndio até o dia 25 de março. Na última semana do mês 57 novos focos apareceram. Em comparação com fevereiro deste ano, quando aconteceu 164 queimadas, foram 438 novos registros. O fogo contribui para o efeito estufa da mudança climática, degrada hábitats naturais, que afeta a biodiversidade, além de colocar a saúde das pessoas que vivem na região em risco.

Causas

Segundo Fábio Catarineli, tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, coordenador da Defesa Civil do Estado e membro da coordenação da Sala de Situação Integrada, grande parte desse fogo é causado por ação humana. “Estatisticamente falando cerca de 90% dos incêndios são causados pelo homem. Algumas vezes são por pessoas que utilizam a área para caça ou pesca, mas dificilmente conseguimos dar o flagrante”, assegura.

Outro fator que contribui para esse aumento exponencial é a falta de chuvas e a baixa intensidade delas quando acontecem na região. Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foram 48mm de precipitação durante o terceiro mês de 2020, sendo que a primeira chuva aconteceu no dia 13 de março e na última semana do mês foi registrado apenas 6mm. No mesmo período do ano passado choveu 58mm.


Para abril e os meses seguintes, Catarineli é categórico ao dizer que a tendência é de que ocorram menos chuvas. “Estamos saindo do período chuvoso, historicamente começa a ter cada vez menos precipitação e quando chove há baixo volume de água”, pontua. “O pico das queimadas é setembro, mês pouco chuvoso e quando acontecem os grandes incêndios florestais, mas já estamos desenvolvendo ações para diminuir impacto deste ano”, pontua.

O acúmulo de vegetação seca dos anos anteriores também agrava a situação. “O Pantanal tem essa característica, aí a vegetação nasce por cima. Quando sobrevoamos a região na metade de março vimos que o fogo estava por baixo do verde. Isso advém do material combustível concentrado”, explica.

Algumas medidas já estão sendo adotadas para tentar reverter esse março atípico: a Sala de Situação Integrada, onde órgãos federais e estaduais se juntam no monitoramento e realizam ações de fiscalização, prevenção e combate ao fogo; o Plano de Estiagem foi divulgado para o Corpo de Bombeiros na quarta-feira (1º); campanhas de conscientização estão sendo preparadas. “Somente a conscientização das pessoas de que temos que proteger e preservar o meio ambiente trará frutos. Leva alguns anos para esses números diminuírem, mas temos fé que isso irá acontecer”, reflete o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros.


A pandemia mundial e o estado de calamidade pública instaurado no país devido ao Covid-19 chegam a influenciar no trabalho dos órgãos fiscalizadores e de combate ao fogo, mas eles não diminuíram os serviços. “As reuniões da Sala de Situação Integrada estão sendo feitas via internet, mas foram suspensas as férias de qualquer membro da corporação, então estamos com todo o efetivo pronto tanto para demandas da saúde quanto para ambientais”, garante Catarineli.

A Wetlands International no Brasil, por meio do Programa Corredor Azul, e a Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal continuarão acompanhando este momento com preocupação, cobrando rápidas e efetivas respostas de nossos governantes para a contenção do fogo.

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