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30 de Março de 2011 14h17

Rio Paraguai sobe e deixa moradores ilhados em Corumbá

Midiamax

Com o nível do rio Paraguai praticamente 1 metro acima do esperado para a época - segundo números da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) - e a cheia avançando no Pantanal, os primeiros prejuízos sociais começam a aparecer. Na região do Porto Morrinho - distante cerca de 70 quilômetros da área urbana de Corumbá - grande parte da população ribeirinha teve as casas invadidas pelas águas. A maioria foi obrigada a deixar os imóveis.

A situação é bastante difícil para as famílias ribeirinhas. Muitas delas contaram com o apoio de uma empresária de uma pousada daquela localidade, que garantiu estadia até que o nível das águas baixe para que possam retornar às casas, construídas às margens do rio Paraguai. Outras buscaram a casa de parentes, na área urbana de Corumbá. Há ainda os que passam por uma situação que pode ser considerada dramática - para dizer o mínimo - e sem ter para onde ir, buscaram refúgio no prédio abandonado de um antigo hotel.

Além de desabrigar e desalojar os ribeirinhos, a cheia, que segundo eles "veio rápida", trouxe também prejuízos financeiros para aquelas famílias. Habituados a complementar a renda - proveniente em sua maioria da atividade pesqueira - com a venda de frutas e legumes que cultivam nos quintais de casa, agora, plantações de mandioca; limão e caju, por exemplo, estão embaixo d'água. A própria pesca está "difícil", argumentam.

Pescador profissional, Braz Alves disse a este Diário que, ao longo da vida, enfrentou as principais cheias do Pantanal no último século e não se lembra de ter visto nada como a enchente deste ano. "Passei por todas essas cheias de 1974; 1988 e 1995, mas foram diferentes dessa de agora, elas não foram tão rápidas. Nas outras se perdeu muito porque não acreditavam que ela [a cheia] viria porque foi devagar. Agora essa foi de uma vez só e chegou numa semana, afundou tudo", afirmou o pescador.

Morador no Porto Morrinho desde 1992, Braz contou que nunca passou por uma situação a que vive atualmente. A água do rio Paraguai está a poucos centímetros de entrar em sua casa e tudo o que planta já se perdeu. "Já vi muita enchente no Pantanal, mas rápida como essa não. Veio de repente e tomando tudo, nunca vi uma coisa dessas. A água ainda não entrou em casa, mas está bem perto. Planto mandioca; manga; caju e perdi tudo. O que eu precisava agora era de um lugar para sair e voltar assim que essa água toda passar, porque está muito difícil", afirmou.

A cena se repete ao longo da margem esquerda do rio. A casa de Antônia Pedrosa da Silva está com água batendo na porta e para circular fora do imóvel só usando canoa, guiada pelo jovem Antônio, de 8 anos. O quintal da casa praticamente se uniu ao rio e peixes cruzando o terreno já pode ser considerado normal. Dentro de casa oito pessoas, entre adultos e crianças. "A água veio rápido e não deu tempo de nada. Plantamos mandioca; melancia e abóbora e a gente perdeu tudo. Estamos lutando. Precisamos de uns remédios; água pra beber e mantimentos", contou. Ela disse que as crianças seguem estudando e para ir à escola, diariamente, atravessam o rio de barco para o Porto Morrinho e, dali, pegam o ônibus escolar.

Mais a frente o cenário é semelhante. Jeanine Santiago dos Santos, que mora com o marido e os dois filhos levantou os móveis que tem em casa para evitar maiores perdas. A água a deixou praticamente ilhada. Chegar até onde ela mora, só de barco ou canoa a remo. "De repente começou a subir água e não deu tempo de salvar nada. Aqui dentro levantamos tudo o que a gente podia. Ainda não entrou muita água, mas está subindo", disse ela ao lado do filho mais novo

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