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AGÊNCIA BONITO THIAGO

Redução de estresse pode deter dano a cromossomos, diz ganhadora do Nobel

1 Jul 2011 - 14h29Por Folha.com

Foi a partir da observação de que mães de crianças com doenças crônicas pareciam mais velhas do que as com filhos saudáveis que a bioquímica australiana Elizabeth Blackburn iniciou a investigação que a levaria a ganhar o Prêmio Nobel de Medicina, em 2009, dividido com Carol Greider e Jack Szostak.

Juntos, eles descobriram como os cromossomos (as estruturas enoveladas que abrigam o DNA) podem ser copiados de forma completa durante o processo de divisão celular e como se protegem da degradação.

A solução está nas pontas dos cromossomos, os ditos telômeros, e na enzima que os "monta", a telomerase.

Blackburn os compara ao cadarço de um tênis. Os telômeros são as pontas, que impedem o desgaste. À medida que envelhecemos, os telômeros sofrem um desgaste lento e natural. No entanto, o estresse crônico pode acelerar esse processo, alertou Blackburn durante palestra no encontro com os premiados do Nobel, que acontece em Lindau (Alemanha).

"Muitas das doenças do envelhecimento, como problemas cardiovasculares e diabetes, são associadas ao encurtamento dos telômeros", explicou a pesquisadora.

A boa notícia, segundo ela, é a possibilidade de prevenir, pelo menos em parte, a aceleração desse fenômeno.

"Uma vida estressada e a exposição a múltiplos traumas têm uma relação direta com o encurtamento dos telômeros, assim como a hostilidade e o pessimismo", diz.

Blackburn aposta que educação, exercícios e redução do estresse possam frear esse processo e reduzir o risco de doenças no futuro.

INSPIRAÇÃO

A linha de pesquisa que culminou no Nobel de Blackburn começou anos atrás, quando ela e a psicóloga Elissa Epel, que estuda o estresse crônico, desenvolveram um estudo que avaliou dois grupos de mães. Um deles envolvia crianças normais e saudáveis e outro englobava mães que tinham filhos com doenças crônicas.

Foram feitas medições fisiológicas e psicológicas nos dois grupos e se descobriu que, quanto mais as mães tinham que cuidar de seus filhos doentes crônicos, mais estressadas elas estavam. Essa situação também resultava em telômeros mais curtos e em menor capacidade de reparação via telomerase.

"Pudemos ver claramente, pela primeira vez, a causa e o efeito de uma influência de fatores não genéticos. Os genes desempenham um papel nos níveis de telomerase, mas, dessa vez, era um fator externo, o estresse, que estava afetando a sua capacidade de se reparar", explicou. 

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