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Quasar Cia de Dança traz espetáculo inspirado na Bossa Nova ao Festival de Inverno de Bonito (MS)

Quasar Cia de Dança traz espetáculo inspirado na Bossa Nova ao Festival de Inverno de Bonito (MS)

10 Jul 2019 - 11h29Por Karina Lima – (FCMS)
“Um espetáculo essencialmente brasileiro”. É assim que o diretor e coreógrafo Henrique Rodovalho, da Quasar Cia. de Dança, define “O que ainda guardo”, espetáculo inspirado na Bossa Nova, que será durante o XX Festival de Inverno de Bonito, no dia 27, às 19 horas, no Palco da Praça.

A apresentação ainda traz elementos que falam sobre os 30 anos de existência da Quasar e suas características marcantes. “Estilo do movimento, o humor e a leveza na dança. O que nos faz sermos reconhecidos e admirados até hoje por onde nos apresentamos”, comenta Rodovalho.

Os 30 anos da Quasar coincidem com os 60 anos da Bossa Nova. A encenação não guarda um relato linear. “As letras das canções de Bossa Nova foram pontos-chave para que um tipo de movimento se arquitetasse entre coreógrafo e intérpretes. Os temas abordados pelos compositores, muitos deles singelos e ligados a um cotidiano ingênuo e pueril, na trilha sonora são cantados como se fossem conversas entre amigos. A maneira coloquial de fazer poesia inspirou um tipo de movimentação que permeia toda obra. A partir daí o espetáculo foi se revelando como um diálogo provocativo e nada previsível, entre temas, canções e coreografias”, explica Henrique.

Estas canções da Bossa Nova, nascidas de encontros entre compositores da Zona Sul do Rio de Janeiro, ao completar 60 anos, tornaram-se admiráveis em todas as partes do mundo, e só isso já bastaria para serem desafiadoras a qualquer coreógrafo. “Unindo-se a isto a memória emotiva que cada uma das letras e notas deste cancioneiro provoca, é tarefa vigorosa produzir movimentos que desabrochem em novos significados e sentidos”.

Para desenhar um panorama da bossa nova, o cenário traz a silhueta da cidade do Rio e a trilha sonora navega da Era do Rádio ao fenômeno global que se tornou o ritmo carioca. Inclui ainda uma provocação para o preço da fama: “Garota de Ipanema” vira música de elevador. Há uma gama de canções mais e menos conhecidas em versões instrumentais ou interpretadas por vozes como as de Cauby Peixoto e Caetano Veloso. “Uma dança para cantarmos juntos”, diz Rodovalho.

É um trabalho que antes de ter sido iniciado suscitou diversos questionamentos, “principalmente sobre como a música move a dança da Quasar, e sobre como é possível traduzir uma obra musical tão própria em um espetáculo cênico instigante e hodierno”. “Em resumo, a busca foi continuamente por produzir um resultado final sensível, belo, fascinante, pleno em sua forma e em sua importância para o mundo das artes”.

O espetáculo “O que ainda guardo” marca a volta das atividades da Companhia em 2018, depois de uma paralisação 2016 por falta de patrocínio. Rodovalho está seguro de que o intervalo serviu para fazer mais do que um balanço geral ou projetar o futuro, permitiu se situar diante de incertezas. “Quando se faz 30 anos de carreira, descobre-se que não se pode parar”.

A Quasar Cia de Dança surgiu em Goiás, em 1988, e criou um sotaque próprio, delicadamente inspirado nas diversas artes e suas antíteses, criando um mundo visual e comunicacional diagramado em frames e luzes. Movimentos e expressões de dança que sempre surpreendem o público pelo viés de um olhar poético e bem humorado. Uma estética contemporânea arrojada que resulta em coreografias que cativam pelo apuro técnico.

À frente da companhia encontram-se seus fundadores, Vera Bicalho (diretora geral) e Henrique Rodovalho (diretor-artístico e coreógrafo) – ex-bailarinos do Grupo Energia, seu precursor no início dos anos 1980. A Companhia transita com muita singularidade por múltiplas estéticas com recortes e misturas inovadoras da dança que se inter-relacionam com as  diferentes linguagens cênicas, instalações artísticas, multimídias, entre outros suportes e comunicações visuais. Seu principal objetivo é a profissionalização da dança e a formação de um público que melhor contextualize um trabalho que se pauta por uma forte identidade autoral. É o prazer artístico respaldado pelo selo da qualidade.

Serviço: Espetáculo “O que ainda guardo”, da Quasar Cia. De Dança, durante o XX Festival de Inverno de Bonito. Dia 27 de julho de 2019, às 19 horas, no Palco da Praça. Vale a pena conferir!

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