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Políticos de MS são suspeitos de lavar dinheiro comprando fazendas no Paraguai

5 Set 2011 - 08h01Por Éser cáceres - Midiamax

Políticos de Mato Grosso do Sul estão na mira das autoridades paraguaias porque compram grandes extensões de terra na faixa de fronteira com o Brasil. Além do crime de comprarem propriedades em área proibida pela lei de soberania do Paraguai, os sul-mato-grossenses estão na lista de compradores ilegais de lotes reservados para a reforma agrária.

Assim como acontece em assentamentos brasileiros, muitos sem-terra paraguaios, conhecidos lá como 'campesinos', recebem terras do governo e vendem as propriedades. Segundo levantamento oficial do Indert (Instituto Nacional de Desarrollo Rural y de la Tierra), espécie de 'Incra' paraguaio, na região de Antebi Cué mais de 40 pessoas se apropriaram ilegamente de mais de 33 mil hectares de terra destinados à reforma agrária.

O documento do órgão paraguaio foi divulgado na última semana pelo jornal paraguaio Ultima Hora e cita diversos brasileiros. Entre eles, políticos de Mato Grosso do Sul como o ex-prefeito de Guia Lopes da Laguna, Carlos Roberto Saravy de Souza, e outros nomes que ainda estão em investigação.

De acordo com o relatório do Indert, 6.426 hectares estão irregularmente nas mãos de cidadãos brasileiros. A situação é ilegal por dois motivos: além de ferir o Estatuto Agrário do Paraguai, que proibe a presença de fazendas nos assentamentos dos sem-terra, também transgride a Lei 3.532, de 2005, que proíbe a estrangeiros possuir terras numa faixa de 50 quilômetros das fronteiras.

Os técnicos do Indert afirmam que Roberto Saravy possui cerca de 1.600 hectares de terras dentro do assentamento Antebi Cué, que fica próximo da fronteira paraguaia com municípios do sudoeste de Mato Grosso do Sul.

Saravy, que foi prefeito de Guia Lopes da Laguna entre 2001 e 2003, foi afastado do cargo e chegou a ser condenado a dois anos e um mês de detenção em primeira instância por improbidade administrativa (Processo 0002767-60.2003.8.12.0013). Um dos crimes cometidos pelo ex-prefeito foi justamente ter usado carro oficial do município brasileiro para viajar até a fazenda em território paraguaio.

A pena, segundo dados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, foi transformada em prestação de serviços para a comunidade. Saravy também perdeu os direitos políticos por cinco anos, mas recorre da decisão.

Atualmente, segundo o cadastro Med.br, Roberto Saravy, que é médico, atende como endoscopista no Centro de Diagnóstico Médico e no Hospital Edelmira Nunes de Oliveira, de Guia Lopes, além do Hospital Marechal Rondon, de Jardim. Por telefone, a reportagem não conseguiu falar com ele em nenhum dos locais.

No Hospital Municipal de Guia Lopes, também por telefone, foi confirmado à reportagem que Saravy atua no órgão como diretor-clínico, mas não estava em expediente. Procurado para comentar a acusação de que possui terras ilegais no país vizinho, a informação é de que ele justamente deve estar na fazenda que tem no Paraguai, para onde iria usualmente nos finais de semana.

A lista de irregularidades na adminsitração de Saravy enquanto foi prefeito de Guia Lopes inclui ainda a suposta aquisição de materiais com notas fiscais de empresas fantasmas, compra de veículos superfaturados e ilegalidades na licitação para a locação de veículo para transporte escolar, segundo a denúncia do Ministério Público Estadual.

O relatório oficial do Indert confirma que o ex-prefeito sul-mato-grossense é dono da Estância Margarita, que seria registrada no nome de várias pessoas, mas "pertenece al doctor Roberto Saravy, brasileño, reside en ciudad Jardim (Mato Groso do Sul, Brasil); el establecimiento cuenta con vivienda y animales vacunos". (pertence ao doutor Roberto Saravy, brasileiro, residente em Jardim-MS; o estabelecimento conta com sede e rebanho de gado)

Políticos lavando dinheiro

Outros nomes de políticos sul-mato-grossenses são investigados pelos técnicos do Indert. Segundo funcionário do órgão que recentemente esteve em Campo Grande acompanhando uma reunião de movimentos sociais brasileiros ligados à causa da reforma agrária, geralmente são pessoas que ocuparam 'altos cargos' públicos regionais e têm vínculos com a ampla região fronteiriça sul-mato-grossense.

"Não sabemos como as autoridades brasileiras acompanham as posses desses políticos, mas há a possibilidade de que as compras de terras paraguaias sejam realizadas com recursos auferidos ilegamente no Brasil. Para lavar dinheiro, comprar terras dos campesinos é uma ótima opção, pois não há registros oficiais no país de origem", explica.

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