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Polícia Federal diminui ações na fronteira e está comprando combustível fiado em MS

18 Abr 2011 - 13h38Por Folha.com

O corte no orçamento da Polícia Federal para este ano afetou a fiscalização em regiões de fronteiras e as ações de combate ao narcotráfico e contrabando de armas.

O dia a dia das operações foi prejudicado devido à suspensão dos gastos com diárias para delegados e agentes, segundo os policiais.

Há relatos de problemas estruturais, como o fechamento de um posto na fronteira com o Peru, e da falta recursos para manutenção de carros, compra de combustíveis e coletes à prova de bala.

A redução vem na esteira do contigenciamento no Orçamento da União, determinado por decreto assinado em fevereiro pela presidente Dilma Rousseff.

No Ministério da Justiça, com orçamento previsto de R$ 4,2 bilhões para 2011, o corte foi de R$ 1,5 bilhão.

Agentes relataram à Folha que os cortes comprometeram a Operação Sentinela, feita com a Força Nacional de Segurança e a Polícia Militar nos Estados.

A ação combate crimes como tráfico internacional de drogas, entrada de armas, contrabando e imigração ilegal. Houve redução do efetivo desde a Amazônia até o Rio Grande do Sul.

No Brasil, a atuação da PF nas fronteiras abrange uma linha de 16.399 km. Projetos como o Vant, de fiscalização com um avião não tripulado, devem atrasar. No Pará, uma patrulha que monitorava o rio Amazonas em Óbidos foi retirada.

No Amazonas, o posto de Eirunepé, próximo ao Peru, não está funcionando desde o mês passado.

O superintendente da PF no Estado, Sérgio Fontes, disse que na fronteira com a Colômbia e o Peru a Operação Sentinela será levada apenas "até onde der". "O corte foi muito severo."

FIADO

Em Mato Grosso do Sul, a redução no efetivo chegou a 60% nas delegacias da PF de Corumbá e Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. Segundo agentes federais, foram suspensas blitze preventivas nas rodovias.

Policiais que atuam em Ponta Porã descreveram à Folha um cenário crítico. Carros estão parados por falta de manutenção e equipes estão comprando combustível fiado. Com o contingenciamento, a maior parte do efetivo vindo de outros Estados teve de deixar a cidade. O sindicato dos policiais diz que a delegacia opera hoje com menos da metade do pessoal em relação a 2010.

Na fronteira do Rio Grande do Sul, outro importante ponto de combate à entrada de armas, também houve redução no número de policiais, segundo os agentes.

"Onde trabalhavam dois agentes, agora tem um", disse Paulo Paes, que preside o sindicato local dos policiais.

Em Porto Mauá e Porto Xavier, há quatro agentes para cobrir 150 km do rio que separa o Estado da Argentina.

Centenas de caminhões atravessam diariamente a fronteira, mas na prática o trabalho dos agentes se resume ao controle de migração.

OUTRO LADO

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o corte orçamentário foi necessário "para a estabilidade do país". A Polícia Federal é subordinada ao ministério.

Cardozo negou, na sexta-feira, em Manaus, que haja problemas na fiscalização da PF nas fronteiras. "Não há nenhuma operação bloqueada. A Polícia Federal está trabalhando em ritmo normal. Portanto, não há problema."

Ele disse ainda ter "certeza absoluta" de que o corte não afetará "a prioridade do governo Dilma Rousseff, que é a segurança pública".

"É evidente que nós temos que fazer adequações, mas não há paralisação de atividade em hipótese nenhuma. Verba nós temos, não é a ideal, mas nós temos que buscar suprir a deficiência de verba com aquilo que é mais importante, a integração."

Cardozo falou que há discussões sobre um plano integrado com Forças Armadas, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar nos Estados de fronteira, além da colaboração internacional dos países de fronteira.

O prazo de implantação do projeto de avião não tripulado na Amazônia passou para agosto, segundo o ministro.

A Folha procurou a direção da PF, mas o órgão informou que não se posicionará sobre os cortes.

Sobre as operações e os problemas na sua atuação, disse que poderia responder apenas hoje.
 

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