Menu
KAGIVA
quarta, 17 de outubro de 2018
ITALÍNEA DOURADOS
Busca

Pico da cheia vai inundar 23% do Pantanal, aponta sistema

27 Abr 2011 - 16h39Por Midiamax - Diário Online PX

Quando a cheia de 2011 chegar ao máximo previsto pela régua de Ladário, a área inundada no Pantanal pode atingir mais de 35 mil km², ou seja, uma área correspondente a 5 mil campos de futebol. A informação foi gerada pelo Sismonpan (Sistema de Monitoramento do Pantanal), tecnologia recém-disponibilizada pela Embrapa Pantanal. Trata-se de um sistema de alerta para cheias e secas no Pantanal, que poderá auxiliar produtores rurais na tomada de decisões e minimizar prejuízos. O Pantanal convive todos os anos com os chamados pulsos de inundação.

Em determinada época do ano a planície fica inundada e, em outra, seca. Em função desse ciclo, a pecuária (principal atividade econômica da região) teve que se adaptar à natureza. Na época de enchente, às vezes é necessário deslocar o gado das áreas mais baixas para as regiões mais altas. É uma decisão difícil para o pecuarista, pois envolve gastos e riscos para o rebanho. Para amenizar este problema, o pesquisador Carlos Roberto Padovani obteve como produto de sua tese de doutorado o Sismonpan.

Ele explica que as informações já estão disponíveis, mas o acesso será facilitado a partir de sua informatização, que já está sendo planejada. Padovani concluiu o doutorado na Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo) no final do ano passado. O título do trabalho é "Dinâmica espaço-temporal das inundações no Pantanal" e a orientação foi do professor doutor Carlos Alberto Vettorazzi.

O planície pantaneira tem aproximadamente 150 mil km² e o cenário traçado para a cheia atual indica que pelo menos 23% dessa área estará debaixo d'água quando for registrado o nível máximo do rio Paraguai, em Ladário.

Para chegar a esses resultados, os cálculos levaram em conta dados de geotecnologia, climáticos e hidrológicos, considerando um conjunto maior de informações além da régua de Ladário. Essa régua, mantida pela Marinha do Brasil, é utilizada desde 1900 para acompanhar o nível do rio Paraguai no município.

Padovani utiliza outras estações que medem o nível do rio distribuídas por todo o Pantanal, além de dados de mapas e chuva, também distribuídos por toda a bacia. O sistema vai "aprendendo" com cada cheia e seca. O nível de cheia do rio Paraguai previsto para esse ano pela Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), é de 5,53 metros. Mas este índice não está contemplado no banco de dados de 2000 a 2009, utilizado pelo Sismonpan. Ou seja, não aconteceu esse nível, nesse período. Então o nível mais próximo foi o de 5,37 metros, registrado em 10 de junho de 2006. Com base nesse histórico, o pesquisador traçou o cenário mais próximo de inundação para 2011. Nesta quarta-feira, a altura do rio Paraguai, em Ladário, atingiu a marca de 5,13 metros.

Divulgação

O Sismonpan já foi concebido, segundo Padovani. Agora ele tem se reunido com representantes da Embrapa Informática Agropecuária, de Campinas (SP), e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), para desenvolver a informatização do sistema que permitirá aos interessados e afetados pelas inundações acesso a essas informações por meio da internet.

"As informações podem ser veiculadas por diversos meios de comunicação para informar entidades de classe (sindicato rurais, comunidades de pescadores), o poder público e outros públicos de interesse. É interessante que essa informação circule também em programas de rádio, muito populares e de grande alcance no Pantanal", disse o pesquisador.

Etapas

Na prática, o sistema de monitoramento funciona em etapas. Começa com a aquisição dos dados, passa pelo processamento, análises e atualização do banco de dados. Em seguida essas informações vão para um sistema computacional, onde vai ocorrer a interação com o usuário. O Sismonpan prevê ainda as comunicações e alertas e um retorno dos usuários para que a tecnologia possa ser constantemente melhorada.

Padovani explica ainda que o sistema também será bastante útil ao traçar cenários de seca. Assim como a cheia, uma estiagem prolongada ou drástica pode afetar a pecuária pantaneira. Por meio do estudo de imagens e de dados da chuva, o pesquisador consegue levantar as áreas com maiores riscos de incêndio. "O sistema é aberto para incluir outras informações, como outras imagens de satélite, dados de vazão, etc, podendo ser aperfeiçoado mais e mais à medida que novas tecnologias possam ser empregadas para gerar novos dados", explicou o pesquisador.

Deixe seu Comentário

Leia Também

BONITO - MS - RESULTADO DO CONCURSO
Confira os aprovados no concurso público da Câmara em BONITO (MS)
AÇÕES DO GOVENO DO MS
Em quatro anos, governo de MS investe R$ 265 milhões em Corumbá
NA REGIÃO DE BONITO
Motorista morre após caminhão cair de serra na MS-382 na região de Bonito (MS)
ESPORTES
Sete atletas representam MS no Brasileiro de Futebol de Mesa
EDUCAÇÃO
Horário de verão vai começar no mesmo dia da primeira prova do Enem
POLÍTICA
TSE reúne equipes de Bolsonaro e Haddad para discutir fake news
ALERTA DE CHUVA DE GRANIZO NO MS
Instituto alerta para chuvas intensas com possibilidade de granizo em MS
AINDA DESAPARECIDA
Servidora pública do TRE/MS continua desaparecida e familiares pedem ajuda
PESQUISA NO MS
Reinaldo abre 14% e chega com 57% dos votos válidos em nova pesquisa no MS
BRIGA INTERNA EM PLENA CAMPANHA
Conselho de Ética do PDT pede 'cabeça' de Odilon por apoio a Bolsonaro