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Pesquisa mostra que DNA que monta barbatana também produz pata

14 Jul 2011 - 13h30Por Folha.com

É como se toda barbatana tivesse vocação para ser pata, e vice-versa, aliás.

A ideia aparentemente disparatada vem do trabalho de um trio de brasileiros da Universidade de Chicago, junto com colegas americanos.

Eles mostraram que o mesmo pedaço de DNA que ajuda a "montar" as nadadeiras dos peixes também atua na linha de produção das patas da frente de camundongos.

A constatação veio quando o DNA de peixes foi inserido em embriões de roedores. E a recíproca também é verdadeira: o DNA de camundongos (e de frangos), ao ser adicionado ao genoma de peixes, participou da formação de barbatanas.

O estudo, publicado na prestigiosa revista científica "PNAS", indica que modificações genéticas relativamente sutis bastaram para que as nadadeiras dos peixes virassem os membros dos vertebrados terrestres.

Fica claro que "a evolução tende a modificar estruturas já existentes, a incrementar um alicerce que já existia", disse à Folha o paraense Igor Schneider, que faz pós-doutorado em Chicago e é o primeiro autor da pesquisa.

Trocando em miúdos: a evolução é o tipo de arquiteto que adora um puxadinho.

NADA INOVADOR

Até agora, no caso das regiões equivalentes às mãos e aos dedos dos seres humanos, a ideia predominante dizia que a evolução tinha sido um pouco menos preguiçosa.

Os estudos genéticos mostravam que um elemento crucial para a formação dos apêndices locomotores dos vertebrados (tanto nadadeiras quanto patas) era um trecho de DNA batizado com a sigla CsB pelos cientistas.

Não se trata de um gene, mas de uma região reguladora do DNA. Isso significa que, em vez de conter a receita para a produção de uma proteína, como ocorre com os genes, a CsB é um interruptor de genes. Ou seja: certas moléculas interagem com ele para ligar ou desligar genes.

No caso, estamos falando de um conjunto de genes importante para a formação da estrutura básica do corpo, inclusive elementos como mãos e pés de seres humanos.

"Uma pesquisa anterior já tinha feito o que nós fizemos, ou seja, inserir o CsB de peixes em camundongos", conta Schneider. Não deu certo.

"O peixe que eles usaram é o baiacu, o único cujo genoma estava disponível na época. O problema é que ele é um caso especial, porque perdeu nadadeiras pélvicas, tem poucas vértebras e, ainda por cima, a região do CsB duplicada em seu DNA", diz ele.

Ou seja, o bicho é um caso à parte, pouco representativo perto de outros peixes.

Por isso, Schneider e seus colegas usaram o DNA de outras duas espécies, um tipo de arraia e o paulistinha (comum em aquários mundo afora por causa de suas simpáticas listras). Funcionou.

Nem todos os embriões de camundongos testados "se entenderam" com o DNA de peixe, graças à distância evolutiva entre as espécies, mas em vários indivíduos o interruptor de genes foi ligado durante a formação das patas.

A diferença, explica Schneider, é que essa ativação não vai até a pontinha dos dedos embrionários dos bichos. Esse pode ter sido o fator crucial para o surgimento das patas: alterar ligeiramente esse padrão de ativação para que ele chegasse até a ponta.

A pesquisa também é assinada pelos brasileiros Marcelo Nóbrega e Ivy Aneas e pelo paleontólogo Neil Shubin, especialista na evolução dos primeiros anfíbios. 

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