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18 de Maio de 2011 07h40

Pesquisa do Ipea diz que mais brasileiros se assumem negro

Notícias MS

Na opinião da coordenadora de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso do Sul (Cppir/MS), Raimunda Luzia de Brito, os brasileiros estão se assumindo negros devido a sua autoestima e também por ter grandes personalidades negras no poder. “O presidente (dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama), da maior potência do mundo é negro. O atleta do século (Edson Arantes do Nascimento), Pelé é negro e brasileiro. Então, a autoestima do negro foi levantada. O que faltava muito era referência”, explica Brito ao comentar sobre a divulgação do estudo “Dinâmica Demográfica da População Negra Brasileira”, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A pesquisa divulgada pelo Ipea na ultima quinta-feira (23), em Brasília (DF), mostra que mais brasileiros estão se assumindo como negros.

Raimunda Brito diz que é importante também ressaltar que a população negra e indígena aumentou nos últimos anos. Segundo ela, as pessoas estão se amando mais. “Então elas se assumem. Hoje é importante você ver o adolescente se assumir como negro. Porque ele tem referências”. Ela ainda cita como grande referência para o movimento negro, o nome da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República, a socióloga gaúcha Luiza Bairros. “A nossa meta é trazê-la ao Mato Grosso do Sul. Porque nós estamos no Ano Internacional dos Afro-descendentes”.

Censo

De acordo com as informações do Ipea, os dados do Censo 2010, que começaram a ser divulgados no final do ano passado, revelam que houve uma mudança significativa na configuração da população brasileira ao longo do século. As transformações foram registradas em todas as regiões do país e em todos os grupos sociais e raciais, embora com diferentes velocidades. Uma delas, no entanto, chamou atenção no último levantamento apresentado: pela primeira vez na história do Censo, as pessoas que se declaram brancas são menos da metade da população.

Pela classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 97 milhões de pessoas se dizem negras (pretas ou pardas) contra 91 milhões de pessoas brancas. Outras cerca de 2,5 milhões se consideram amarelos ou indígenas. Os brancos ainda são a maioria (47%) da população, mas a quantidade de pessoas que se declaram assim caiu em relação a 2000. Em números absolutos, foi também a única categoria que diminuiu de tamanho. Como resultado, a taxa de crescimento da população negra na última década foi de 2,5% ao ano e a da branca aproximou-se de zero.

Estudo

Segundo o estudo “Dinâmica Demográfica da População Negra Brasileira”, divulgado na quinta-feira (12) pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), dois fatores devem ter contribuído para essa reviravolta. Primeiro, nota-se um aumento do número de pessoas que agora se declaram pardas e que antes preferiam dizer que eram brancas. Segundo, apesar de uma queda geral na taxa de fecundidade das brasileiras, as mulheres negras ainda são as que mais têm filhos.

"A cada Censo, observamos um número maior de pessoas se declarando pardas. Há um enegrecimento da população brasileira por causa de uma maior valorização das suas condições raciais e étnicas", ressaltou Ana Amélia Camarano, autora do estudo. "A valorização dos negros se deve não apenas a políticas do governo, mas também a ações do movimento negro que datam de décadas e que ganharam corpo nos últimos anos", completou.

"O grande aumento da população brasileira nos últimos dez anos foi devido ao aumento da população negra", disse Mário Theodoro, secretário-executivo da Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial. "Isso mostra em uma parte crescimento democráfico maior e por outro o maior reconhecimento dos negros como tais, como cidadãos pretos ou pardos. A população está se sentindo mais pertencente a esse grupo."

O número médio de filhos tidos por uma mulher negra ao final da vida reprodutiva passou de 2,7 filhos para 2,1. Entre as brancas, essa taxa caiu de 2,2 para 1,6. Nos dois casos, a taxa de fecundidade ficou abaixo do nível de reposição, o que ressalta um envelhecimento da população.

Também fica muito clara uma diferença na mortalidade entre os grupos. As mortes entre os brancos estão mais concentradas nas idades avançadas e são resultado de neoplasias (câncer). Já entre os negros morre-se mais entre os jovens de 15 a 29 anos, principalmente entre os homens, por conta de causas externas, como acidentes e mortes violentas (agressões).

As mortes por causas externas são muito mais comuns entre a população masculina. Entre os negros, as principais causas de óbito são os homicídios e, entre os brancos, os acidentes de trânsito.

"A violência entre os jovens negros explodiu nos últimos anos", afirmou Mário Theodoro. "De 98 para 2008, uma diferença que era de 30% entre as mortes de jovens brancos e de jovens negros passou para 140%. Todo o aumento nessa faixa se deu com a população negra. Pode ser que a população negra esteja sendo mais afeta à violência até por questões de preconceito e de discriminação não só da polícia como de toda a criminalidade."

Os aspectos da mortalidade no Brasil foram mudando ao longo dos anos. Houve uma queda importante nos óbitos por doenças infecto-parasitárias, o que demonstra uma melhora na qualidade de vida da população, enquanto as mortes por doenças cardiovasculares e causas externas aumentaram, o que ressalta uma mudança importante na rotina do brasileiro.

E, independentemente do sexo ou da raça, as doenças do aparelho circulatório foram as que mais mataram brasileiros. Elas representaram 28,5% dos óbitos dos homens brancos e 25% dos homens negros. Entre as mulheres, a proporção ficou em torno de 33% nos dois grupos.

Também vale ressaltar o aumento considerável das mortes por acidentes de transporte, que hoje representam 35,3% das mortes por causas externas entre os brancos e aproximadamente um quarto entre os negros.

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