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25 de Maio de 2011 13h45

Perfil mais buscado para adoção, crianças de até 3 anos são apenas 3% em abrigos

Agência Brasil

 Crianças brancas, do sexo feminino e com pouca idade. Esse é o perfil mais procurado pelas 26.938 famílias que estão na fila de adoção. Mas a realidade das 4.583 crianças e adolescentes que vivem hoje em abrigos é bem diferente. Enquanto a maioria (76%) dos interessados inscritos no Cadastro Nacional de Adoção (CNA) procura filhos adotivos até 3 anos de idade, apenas 3,6% das crianças estão nessa faixa etária.  

Para sensibilizar as famílias interessadas na adoção sobre esse quadro, a organização não governamental (ONG) Aconchego e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República lançam uma campanha contando histórias bem-sucedidas de homens e mulheres que acolheram crianças que não se encaixam no perfil mais procurado. É o caso da bancária Rita Cássia da Rocha, de 46 anos. Há quatro anos ela adotou Patrícia, que à época tinha 5 anos e é negra. A menina também tinha um problema de saúde, a síndrome do alcoolismo fetal, causado pelo abuso de álcool cometido pela mãe biológica durante a gravidez.

Rita conheceu Patrícia ao participar de um projeto da ONG Aconchego com crianças que vivem nos abrigos do Distrito Federal. “Desde que a gente se conheceu, o amor foi crescendo e aí a gente resolveu que ia passar por cima de todas as dificuldades, até financeiras, e adotá-la. Sempre quisemos adotar uma menina e pensamos em dar uma chance a uma criança que tinha menos chances de ser adotada”, explica Rita.

De acordo com os dados do CNA, 21,5% das crianças disponíveis para adoção têm algum problema de saúde, e poucas famílias têm disponibilidade para aceitar filhos com essa condição. Soraya Pereira, presidente da ONG Aconchego, acredita que as famílias estão cada vez mais abertas a adotar crianças com perfil diferente daquele tradicionalmente procurado. Segundo ela,  o objetivo da campanha é “chamar a atenção para essas crianças esquecidas” e levar informações às famílias paras desmistificar esse processo. “Hoje, as pessoas já conseguem entender que o foco da adoção não é uma criança para uma família, mas uma família para uma criança”, afirma. Segundo ela, há mais espaço hoje para crianças negras, mas ainda há pouco interesse na adoção de maiores de 5 anos.

“As pessoas têm a ilusão que podem controlar o desenvolvimento e o crescimento da criança se acompanhá-la desde bebê. Mas a gente não tem essa certeza com filho biológico. Ninguém garante que um filho acompanhado desde o início não terá dificuldades lá na frente, não vai desenvolver uma patologia”, aponta Soraya.

A bancária Rita concorda com o argumento e recomenda às famílias que pensam em adoção que ampliem o perfil da criança procurada. “Essas pessoas estão se privando de uma experiência maravilhosa. Se hoje eu tivesse um pouco menos idade, adotaria outra criança”, afirma.

Dados de maio do CNA mostram que São Paulo é o estado com maior número de crianças e adolescentes  em condições para a adoção: 1.221. Em seguida vêm o Rio Grande do Sul (758), Minas Gerais (562) e o Paraná (433).

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