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Paleontólogos retomam retirada de titanossauro em São Paulo

21 Jul 2011 - 11h43Por Jornal do Brasil

Paleontólogos das universidades federais de Brasília (UnB), Rio de Janeiro (UFRJ) e Rio Grande do Sul (Ufrgs) retomam nesta quinta-feira as escavações para retirada dos fósseis de um titanossauro que está enterrado às margens de uma estrada rural no município de Marília, no interior de São Paulo. O titanossauro foi descoberto em abril de 2009 pelo paleontólogo William Nava, que paralisou as escavações no mesmo ano por falta de recursos financeiros e materiais. Agora, as escavações serão retomadas por meio de um projeto da UnB, que recebeu verba de R$ 30 mil do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e apoio da prefeitura de Marília. Os cientistas acreditam que o animal tinha entre 11 e 13 m de comprimento.

"Vamos recomeçar essas escavações na quinta ou sexta-feira no máximo", afirmou Nava, que também é coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, onde estão os primeiros fósseis encontrados. A importância das escavações está na grande possibilidade de o titanossauro ser retirado com sua estrutura articulada, algo raro na paleontologia. "Isso ajudaria muito nas pesquisas morfológicas e nos estudos anatômicos e dos hábitos da espécie", diz Nava. "Nossas análises indicam que o animal foi sepultado rapidamente e não sofreu ataques de outros predadores carnívoros, por isso está com sua estrutura articulada. Já localizamos sete ou oito ossos da vértebra dorsal inteiramente ligados. E temos indicativos que as vértebras acima do dorso até o pescoço e depois até o crânio também estejam articuladas", completou.

Os pesquisadores não sabem qual a espécie do titanossauro de Marília, para isso serão precisos, talvez, mais quatro ou cinco anos, até a retirada de todos os fósseis e estudos morfológicos. Mas eles estimam que o animal teria de 11 a 13 m de comprimento, era herbívoro e era parecido com outros que viveram no País e em outros continentes de 70 a 80 milhões de anos atrás. Nava mantém em segredo o local exato onde o titanossauro foi encontrado, diz apenas que foi numa área próxima de uma estrada, na zona rural, a 20 km ao norte de Marília. "Precisamos preservar o local e evitar a aglomeração, especialmente durante as escavações", diz.

O animal não está enterrado em área particular e sim na faixa de domínio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). "Retiramos pedaços de costela, a cintura pélvica (bacia), dentes, e três vértebras caudais grandes, de aproximadamente 40 cm de altura", contou Nava. "Eram ossos que corriam risco de serem prejudicados por estar localizados bem na estrada", diz Nava, que meses depois teve de paralisar as escavações ao perceber que grande parte da estrutura do animal estava sob grandes rochas impossíveis de serem removidas manualmente.

Sem recursos para continuar a pesquisa, Nava contou mais uma vez com ajuda de amigos da UNB, UFRJ e Ufrgs, que já tinham participado das escavações, sendo que um deles, o paleontólogo Rodrigo Santucci, da UNB, elaborou o projeto que resultou na verba do CNPq. Agora, uma equipe de oito biólogos e paleontólogos vai usar um grande trator para quebrar as rochas que encobrem a maior parte do animal, que está entre 3 e 3,5 m abaixo dessas rochas.

As escavações devem ser feitas até 8 de agosto, que é quando termina o período de férias e os profissionais terão de voltar para as aulas e atividades de suas universidades. Até lá, serão retiradas grandes rochas com os ossos do animal, que serão levadas para o Museu de Paleontologia de Marília. Esses ossos são cobertos por uma camada de gesso, que irá protegê-los enquanto a rocha será quebrada manualmente por Nava e colaboradores (possivelmente estudantes das universidades).

Segundo Nava, por conta da falta de sequencia nas escavações, não é possível estimar quanto tempo será preciso para retirar todos os fósseis e dar início à outra fase de estudos, que irão revelar qual espécie e determinar, entre outras coisas, se é nova ou conhecida dos paleontólogos brasileiros.  

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