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Oito em cada dez profissionais têm oferta de emprego

18 Jul 2011 - 14h16Por Folha.com

 Oito em cada dez profissionais com salário de R$ 6.000 a R$ 15 mil receberam proposta para mudar de emprego nos últimos 12 meses.

O número foi revelado por pesquisa feita pela Asap, consultoria de recrutamento de executivos, para a Folha. A empresa ouviu 1.934 profissionais. Não foram considerados convites que os entrevistados possam ter recebido por meio da própria Asap.

Apesar do alto número de propostas, apenas 24,5% dos profissionais convidados para trabalhar em outra empresa aceitaram a oferta.

"Achei que esse número seria maior. Mas ele reflete a política agressiva das empresas para segurar seus funcionários", diz Carlos Eduardo Ribeiro Dias, sócio e presidente-executivo da Asap.

Para "reter talentos" ""expressão que virou moda"", as empresas têm adotado políticas mais estruturadas e agressivas de remuneração, entre outras medidas.

Quase quatro em cada dez entrevistados dizem ter recebido aumento salarial superior a 30% nos últimos três anos, independentemente de terem trocado de emprego. No período, a inflação acumulada foi de 17%.

"Tanto as equipes diretas de RH como outras áreas das empresas estão sendo bombardeadas pelo aquecimento inédito do mercado de trabalho", diz Martinho Bartmeyer, diretor de Remuneração, Organização e Relações

Sindicais do departamento de Recursos Humanos da TAM.

A história de Bartmeyer ""a exemplo de outros executivos de RH"" reflete o mercado aquecido. Ele trocou a Votorantim pela empresa aérea há um ano e quatro meses.

SURPRESA

A abundância de oportunidades surpreende alguns profissionais. Foi o que ocorreu com a relações-públicas Inês Hotte.

Depois de trabalhar por três anos em uma empresa, ela foi convidada para participar de processos de seleção de duas companhias.

"Fiquei muito surpresa, até pela minha idade. Tenho 47 anos. Nunca esperamos que algo assim possa acontecer com a gente", diz.

Inês foi abordada pelo McDonald's por meio da rede de relações profissionais LinkedIn e, ao mesmo tempo, indicada por uma amiga para uma vaga na Burson-Marsteller, empresa da área de comunicação corporativa.

Aceitou a oferta da Burson e passou a ganhar o dobro (incluindo benefícios).

 A maioria dos entrevistados pela Asap que rejeitaram proposta de novo emprego citou "salário abaixo da expectativa" para a recusa.

 Mas, segundo especialistas, boa remuneração nem sempre é o que mais pesa.

A pesquisa revela que a chance de "crescimento e promoção" contou mais para quem trocou de emprego.

De acordo com Ruy Shiozawa, presidente do Instituto Great Place to Work, os esforços das empresas para reter mão de obra se traduzem em melhores políticas de RH.

Como reflexo disso, o ranking "Melhores empresas para trabalhar" de 2011 feito pela Great Place to Work revelará melhora substancial na nota média (que combina a avaliação dos funcionários com a do instituto) recebida pelas companhias, diz ele.

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