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Número de desastres naturais triplicou desde 1980, diz ONG britânica

23 Mai 2011 - 17h00Por Agência Brasil

O número de desastres naturais registrado anualmente nos países mais pobres do mundo mais que triplicou desde 1980, de acordo com um estudo da organização humanitária britânica Oxfam. Segundo a organização, a média de desastres anuais passou de 133 para 350, nas últimos três décadas, com base em dados de 140 países.

A análise concluiu que enquanto a ocorrência de desastres relacionados a eventos geofísicos – como terremotos, furacões e erupções vulcânicas – permaneceu praticamente constante, as catástrofes provocadas por enchentes e tempestades cresceram significativamente.

O resultado se deve principalmente ao aumento dramático do número de enchentes em todas as regiões do planeta e, em menor grau, à ocorrência de mais tempestades na África e nas Américas do Sul e Central. Steve Jennings, autor do estudo, afirmou que uma das razões do crescimento foi o impacto das mudanças climáticas.

“Desastres ligados ao clima estão se tornando cada vez mais comuns e a situação deve se agravar no futuro à medida que as mudanças climáticas intensificam ainda mais as catástrofes naturais”, afirmou Jennings. “Mas é preciso deixar claro que não há nada de natural no fato de as pessoas pobres estarem na linha de frente das mudanças climáticas. Pobreza, má administração, investimentos precários em prevenção de desastres – tudo isso as deixa mais vulneráveis.”

Para fazer a análise, a Oxfam considerou a definição de desastre como um evento em que 10 pessoas são mortas e 100 são afetadas ou ainda um evento que faz com que um governo declare estado de emergência ou solicite ajuda humanitária emergencial. Segundo o estudo, nos últimos 30 anos, a população de países propensos a sofrerem desastres cresceu, o que significa que mais pessoas estão vulneráveis a estes acontecimentos.

A Oxfam concluiu que o aumento populacional interfere na tendência de crescimento dos desastres, mas não explicou exatamente como isso se dá. O estudo levou em conta que a melhoria dos métodos de registro destas catástrofes climáticas também influencia os resultados.

Um estudo da Oxfam feito em 2009 concluiu que, em um ano típico, 250 milhões de pessoas eram afetadas por desastres naturais. A ONG estima que esse número deve subir para 375 milhões em 2015.

“O futuro será trágico para milhões de pessoas em países pobres se não houver uma mudança drástica na maneira de se responder a esses desastres e se não houver progresso na redução da pobreza e na maneira de se lidar com as mudanças climáticas”, disse Jennings.

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