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BONITO AGUAS DE BONITO
'Cliente tocou em meu órgão genital no trajet

Motoristas de aplicativos relatam casos de assédio em MS

13 Fev 2019 - 08h47Por DA REDAÇÃO

A busca por melhora na renda, a perda de um emprego formal ou mesmo a oportunidade de ganhar dinheiro sem vínculo, motiva cerca de 10 mil pessoas a trabalharem como motoristas de aplicativos em Mato Grosso do Sul. De acordo com a Associação Estadual de Motoristas por Aplicativos (Applic-MS), o que era para ser uma atividade econômica, tornou-se motivo de constrangimento e medo para alguns desses profissionais.

De incômodas "cantadas" a clientes que tocam motoristas durante as corridas, são cerca de 100 casos de assédio diariamente no estado, segundo o presidente da Applic, Paulo Pinheiro.

"Normalmente as vítimas são mulheres e acontecem à noite e de madrugada. O que mais temos são casos de clientes que ameaçam avaliar mal a motorista caso ela não pareça 'receptiva' com seus comentários. Nós as orientamos para que lidem com essa situações pensando sempre na própria proteção", relata.

 

A reportagem conversou com três motoristas - duas mulheres e um homem - que viveram situações constrangedoras com passageiros. Nenhum deles registrou ocorrência sobre os casos de assédio. Uma motorista de 40 anos, desistiu da atividade.

 
O motorista de aplicativo de 59 anos que relata ter sido tocado no órgão genital por um cliente: O motorista de aplicativo de 59 anos que relata ter sido tocado no órgão genital por um cliente:

O motorista de aplicativo de 59 anos que relata ter sido tocado no órgão genital por um cliente: "Foi muito constrangedor" — Foto: Flavio Dias

Um motorista de 59 anos que prefere não identificar-se, conta que durante uma corrida, o passageiro de 60 anos chegou a tocar-lhe: "Ele começou perguntando sobre minha vida particular, se era casado ou tinha filhos. Por educação, disse que era comprometido, mas não foi suficiente", relata.

 

"Esse senhor começou a passar a mão no meu braço e depois na minha perna. Eu falei para ele parar e dizia que não curtia. Mesmo assim, ele colocou a mão sobre a minha calça. O cliente tocou em meu órgão

genital no trajeto", relata.

 

 

De acordo com o motorista, o cliente ainda insistiu em parar em uma área escura próxima a residência dele. O motorista deixou o cliente em casa sem discutir e foi embora, temendo receber avaliação negativa: “A gente tenta até ser educado, mas aquele dia eu nem consegui mais trabalhar, foi muito constrangedor”, lamenta.

 

"Desça agora do meu carro"

 

Outra motorista de 40 anos que há 2 trabalha com aplicativos, afirma que são constantes os assédios verbais, mas apenas uma vez o cliente chegou a tocá-la. Ela conta que o homem era um executivo, bem-vestido, que solicitou a corrida no Aeroporto Internacional de Campo Grande.

 

“Era 3h da manhã e quando ele entrou no carro, me perguntou: 'Como seu marido te deixa trabalhar nesse horário?', então começou a passar a mão no meu braço e eu pedi para que parasse. Ele insistiu e disse que poderia ganhar muito mais dinheiro, se quisesse, e colocou a mão na minha perna”, relembra.

 

A mulher conta que o destino do passageiro era um condomínio de luxo da capital, afastado do centro. Ao final do trajeto que levou pelo menos 30 minutos, ela relata que o homem ignorou completamente seu constrangimento e comentou: "Você perdeu uma grande oportunidade". Cansa de situações semelhantes e com medo de uma violência mais grave, a motorista desistiu da atividade.

Outra motorista de 38 anos afirma que os assédios "sempre começam com um elogio". Para proteger-se de eventuais abusos, ela carrega consigo uma máquina de choque. Há alguns meses ela usou-a para ameaçar um rapaz de 25 anos que, aparentemente embriagado, tentou beijá-la ao final da corrida:

 

“Esse jovem estava em frente uma tabacaria e acionou o aplicativo. Próximo ao fim da corrida, ele pediu para parar o carro e tentou me beijar. Eu fui firme com ele, desci do carro e mostrei minha maquininha de choque. Disse para ele 'Se não quiser que eu use isso, desça agora do meu carro'", relembra.

 

 

A mulher conta que em 2 anos que trabalha com aplicativos, sempre ouviu das colegas que o maior medo é que o assédio evolua para um estupro. "Teve o caso de um rapaz que era turista e insistiu muito para que eu tivesse alguma coisa com ele, e ao final da corrida que tinha dado R$ 17, ele meu deu uma nota de R$ 50 e falou com desdém para eu ficar com o troco. Eu disse que ele pegasse o que era dele e fosse embora”, relata.

 

Motorista pode denunciar cliente que comete assédio

 

De acordo com o presidente da Applic, cada motorista faz em média 20 corridas por dia trabalhando para as cinco empresas que atuam em viagens por aplicativo no estado. Em casos de clientes que tocam nos motoristas ou mesmo quando sentem-se ameaçados ou constrangidos, eles são orientados a denunciar o passageiro:

"Através da própria plataforma é possível reportar à empresa que aquele passageiro passou do limite. Em casos recorrentes, providências são tomadas para que não se repita mais ou torne-se um problema mais grave", afirma.

O coronel Waldir Acosta, Comandante-Geral da Polícia Militar em MS, explica que quando o motorista sentir-se ameaçado, pode acionar a polícia através do telefone 190. Uma viatura será encaminhada até o local e posteriormente, a vítima deverá acompanhar a polícia junto com o suspeito até uma delegacia para registrar boletim de ocorrência.

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