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Ministério da Saúde lança ações para reduzir mortes por infarto

22 Set 2011 - 14h33Por Zero Hora

 Para vencer o desafio de reduzir drasticamente a mortalidade por doenças cardiovasculares do Brasil, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou sábado (17), em Porto Alegre, um pacote de ações para melhorar a oferta de tratamento de infarto, a principal causa de morte no país, ao lado do acidente vascular cerebral (AVC). Padilha fez o anúncio durante a solenidade de abertura do 66º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que termina hoje no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).

Com 2 mil infartos registrados em 2010, Porto Alegre fica atrás somente de São Paulo e do Rio de Janeiro. O ministro anunciou ainda que serão incluídos dois medicamentos de graça para o tratamento de pacientes internados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, os recursos para angioplastia, técnica usada para desobstruir a artéria coronária, também serão ampliados em 30%, entre outras medidas. O investimento total do programa será de R$ 234,4 milhões até 2014.

O espanhol Valentin Fuster, do Mont Sinai Medical Center, de Nova York, uma das maiores autoridades em prevenção de doenças cardíacas e em aterosclerose do mundo, esteve no congresso. Nessa entrevista exclusiva a Zero Hora, ele esclarece que doenças cardiovasculares, responsáveis por 33% das mortes no Brasil, podem ser evitadas. Basta que o indivíduo questione se saúde é sua prioridade para sua vida.

Entrevista

"A pessoa tem de decidir se a saúde é prioridade para ela", diz Valentin Fuster, cardiologista.

:: Como o senhor vê esse dado alarmante (que 33% das mortes ocorrem por doenças cardiovasculares no Brasil)?

Valentim Fuster – Temos de encarar essa doença como algo ligado à conduta, ao comportamento humano. E no mundo de consumo, de muita competitividade e de muita pressão, é muito difícil dizer "não", e isso é um grande problema. Além disso, de maneira geral, os governos não estão tão interessados em sanar doenças crônicas, porque os resultados demoram mais a surgir. Por isso, é hora de a população se dar conta que isso tudo depende dela, e a atenção deve ser redobrada às crianças. E fazer algo para que o governo passe a controlar o sal, o que vai nos rótulos dos alimentos e assim por diante.

:: Como crianças e adultos podem ser mais saudáveis?

Fuster – As crianças reproduzem o que os adultos fazem, os imitam, por isso é tão importante ensiná-las desde cedo que a saúde é a prioridade. As pessoas precisam ser ajudadas (a deixar cigarro, bebidas, comida em excesso), e a melhor maneira de fazer isso é por meio de grupos de apoio, como o Alcoólicos Anônimos, por exemplo.

:: Qual é o maior vilão da qualidade de vida: cigarro, bebida, estresse, excesso de peso, sedentarismo...?

Fuster – São muitos, e não existe uma questão única. Todos os que você falou e muitos outros, como a televisão, por exemplo. As pessoas se sentam em frente à televisão e não se movimentam, não se exercitam. Isso tudo está ligado ao desenvolvimento da pressão alta, diabetes, colesterol alto, obesidade...

:: Por que é tão difícil para as pessoas mudarem seus hábitos?

Fuster – Para mudar, primeiro a pessoa tem de decidir se a saúde é prioridade para ela. Somos humanos, não me diga que isso é fácil. Das pessoas que tentam perder peso, menos da metade consegue. Das que tentam parar de fumar, apenas entre 10 % a 20% obtêm sucesso. Nesses casos, o que se deve fazer é focar no aumento da autoestima. A pessoa deve dizer a si que está fazendo um bem a ela mesma. Quando você não tem nenhum incentivo, fica difícil.

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