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Metade da população mundial se beneficia com medidas antitabaco

8 Jul 2011 - 13h02Por Folha.com

Cerca de 3,8 bilhões de pessoas, pouco mais da metade da população mundial, se beneficia de pelo menos uma das medidas contra o tabaco promovidas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), afirmou nesta quinta-feira a instituição em seu terceiro informe sobre tabagismo.

O "Informe OMS sobre a Epidemia Mundial de Tabagismo 2011" foi lançado no Uruguai, país destacado pela organização por sua legislação para combater o consumo de cigarros e que enfrenta atualmente uma ação da multinacional de tabaco Philip Morris por suas normas antitabaco.

As advertências sanitárias nos maços de cigarros protegem mais de 1 bilhão de pessoas em 19 países, quase o dobro do que há dois anos, segundo o relatório.

Os avisos com imagens são mais efetivos do que os que contêm apenas texto, especialmente nos países com taxas de alfabetização baixas, destaca o documento, que recomenda renovar periodicamente as imagens para manter seu efeito.

O tamanho da advertência também aumenta sua efetividade, sustenta a OMS, que destaca que os países que obrigam a incluir imagens maiores nos maços de cigarros são Uruguai (80% da superfície), México (65%) e Ilhas Maurício (65%).

No Canadá, o primeiro país a introduzir grandes advertências nos maços, em 2001, três em cada dez ex-fumantes afirmam que elas os motivaram a abandonar o cigarro e mais de um quarto ressaltaram que as advertências ajudaram a não voltar a fumar.

Comportamentos similares foram observados na Austrália, Brasil, Cingapura e Tailândia, indica o organismo, que recomenda incluir nos maços de cigarros dados sobre os serviços que ajudam a parar de fumar.

CAMPANHAS MASSIVAS

Desde 2009, data da publicação do último informe, 23 países fortaleceram o monitoramento do consumo de tabaco.

Em relação à publicidade, a OMS destaca que entre 2008 e 2010 Chade, Colômbia e Síria aprovaram amplas proibições à promoção e ao patrocínio de cigarros.

Assim, quase 28% da população mundial - 1,9 bilhão de pessoas em 23 países - está exposta a campanhas massivas antitabaco nacionais e que seguem as recomendações do Convênio Marco da OMS para o Controle do Tabaco (CMCT), vigente desde fevereiro de 2005 e aprovado por 174 países.

Atualmente, há 19 países com 425 milhões de pessoas - 6% da população mundial - "totalmente protegidas das táticas de marketing da indústria, 80 milhões a mais que em 2008". Destes, 15 são de renda média ou baixa, observa a OMS.

Outros 101 países proíbem a publicidade impressa, televisiva ou de rádio e outros tipos de publicidade direta ou indireta, algo que a OMS considera "ainda insuficiente". Cerca de 38% dos países (74 no total) não têm nenhuma restrição à publicidade de cigarros, ou têm restrições mínimas.

Por outro lado, nos últimos dois anos aumentou para 31 a quantidade de países que protegem fortemente a exposição à fumaça do tabaco, o que engloba mais de 739 milhões de pessoas (11% da população mundial).

Outras 210 milhões de pessoas estão protegidas por leis estatais, como ocorre no Brasil e nos Estados Unidos.

O informe destaca o caso da Venezuela, que, embora não tenha ratificado o CMCT, "começou a implementar a maioria das medidas de controle de tabaco do tratado".

"FAZER MAIS"

"A quantidade de pessoas atualmente protegidas por medidas de controle do tabaco está aumentando a um ritmo destacável", observa no informe o subdiretor geral da OMS, Ala Alwan. "No entanto, a epidemia do tabaco segue se expandindo devido ao marketing da indústria do tabaco, ao aumento da população em países onde aumenta o uso do tabaco e ao vício do tabaco, que dificulta que as pessoas deixem de fumar", acrescenta Alwan, que sustenta que todos os países "podem e devem fazer mais" para cumprir seu compromisso com o CMCT.

A OMS adverte que o tabaco continua sendo a maior causa mundial de mortes evitáveis, matando a cada ano quase 6 milhões de pessoas.

"Se a tendência mundial se mantiver, em 2030 o tabaco matará mais de 8 milhões de pessoas ao ano, e 80% destas mortes prematuras serão registradas nos países de renda baixa e média", conclui.

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