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Medo estimula geração de novos neurônios, afirma pesquisa americana

17 Jun 2011 - 16h16Por Revista Veja - online

Por que muitas vezes é mais fácil lembrar algo ruim do que um momento de felicidade? Há muito tempo a ciência analisa o impacto de eventos traumáticos sobre a memória humana, mas nenhum estudo foi capaz de explicar a fundo o mecanismo. Agora, uma equipe da Universidade da Califórnia em Berkely, nos Estados Unidos, dá novas pistas de como as emoções podem afetar a memória. 

Quando uma pessoa está com medo, uma pequena região do cérebro que atua como matriz das memórias emocionais (a amígdala) induz outra parte do cérebro, envolvida na consolidação da memória (o hipocampo), a produzir mais neurônios. A ideia é que os novos neurônios funcionem como 'estepes' para uma informação importante, registrando parte do que poderia ter 'escapado' a outro neurônio. Como se o corpo estivesse reforçando uma informação vital.

"Nossa pesquisa mostra que a ativação da amígdala faz o hipocampo produzir novos neurônios a partir de uma população única de células-tronco neurais", diz Daniela Kaufer, professora de biologia integrada e membro do UC Berkeley’s Wills Neuroscience Institute. De acordo com ela, muitos distúrbios afetivos – depressão, ansiedade, estresse pós-traumático – envolvem memórias emocionais. "Acreditamos que novos neurônios possam ter um papel na criação destas memórias."

A equipe usou ratos para observar este processo de geração de neurônios, ou neurogênese. Os animais eram submetidos a situações estressantes e no dia seguinte podiam escolher enfrentar ou não um evento semelhante. Os novos neurônios foram ativados apenas nas situações de estresse. Foi observado também que ratos com uma parte da amígdala comprometida não conseguiam ter estes neurônios ativados.

O trabalho mostra que neurônios recém-gerados têm um papel importante na formação da memória e na criação do contexto emocional da memória, que facilitará associações em uma futura situação de perigo. Mais do que tudo, indica uma região bem determinada no cérebro que pode ter uma grande responsabilidade sobre o processo.

Neurônios fresquinhos — Embora pesquisadores tenham acreditado durante muito tempo que a neurogênese ocorresse apenas na fase de desenvolvimento do cérebro, hoje se sabe que células-tronco adultas podem continuar se diferenciando continuamente em células nervosas.

Enquanto novos neurônios se formam, outros param de funcionar. A cada dia cerca de cem células nervosas são formadas, mas a metade não sobrevive a quatro semanas. Sabe-se que quando estimulados de alguma forma — como, por exemplo, pela aquisição de uma nova e complexa informação —, mais neurônios conseguem sobreviver. Acredita-se que esta aquisição melhore a memória.

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