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16 de Março de 2011 12h02

Lula traça estratégia do PT para eleições municipais

Folha.com

Menos de três meses depois de deixar o Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o comando das articulações eleitorais do PT em São Paulo.

Amanhã, ele chefiará reunião com prefeitos petistas para traçar a estratégia do partido nas eleições municipais de 2012. Seu objetivo é minar o poder do PSDB, que governa o Estado há 16 anos.

Ao sair da Presidência, Lula disse estar cansado das reuniões partidárias e prometeu se dedicar a grandes temas, como a reforma política e o combate à pobreza na África e na América Latina.

Agora, ao assumir a tarefa de organizar a sigla para a disputa municipal, ele reestreia no varejo político no papel de articulador do partido.

O encontro de amanhã será realizado a portas fechadas num restaurante de São Bernardo do Campo, segundo apurou a Folha.

Só foram chamados prefeitos de cidades com mais de 100 mil habitantes, além de dirigentes petistas. Lula pediu ao presidente da sigla em São Paulo, deputado estadual Edinho Silva, que convocasse os participantes.

ESTRATÉGIA

O ex-presidente pretende desenhar um plano de ação a partir dos relatos sobre a situação de cada município, incluindo os pré-candidatos do PT e as possibilidades de alianças com outras siglas.

Ele considera a eleição de mais prefeitos petistas um passo fundamental para tentar quebrar a hegemonia tucana no Estado em 2014, na sucessão do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O principal alvo do PT em São Paulo é a prefeitura da capital, que a sigla deixou de comandar em 2004, com a derrota de Marta Suplicy para José Serra (PSDB). Ela perdeu novamente em 2008, para Gilberto Kassab (DEM).

Lula teme que a movimentação do prefeito, que pretende fundar um novo partido e liderar uma terceira via paulista, agrave o isolamento dos petistas no Estado.

A interlocutores, ele manifestou preocupação com a possibilidade de Kassab atrair aliados tradicionais do petismo, como PC do B e PDT, a tempo de formar chapas para as eleições de 2012.

Em declarações públicas, Lula vinha insistindo que não pretendia retomar a rotina partidária. "Eu só não quero participar de mais reunião de partido político. Pelo amor de Deus. Eu estraguei tantos sábados da minha vida fazendo reunião", disse à TV Record em julho de 2010.

Após um mês de recolhimento, ele voltou à carga no início de fevereiro, no Senegal, ao criticar as centrais sindicais na disputa pelo novo valor do salário mínimo.

A fala reforçou a presidente Dilma Rousseff no primeiro grande teste de seu governo, que aprovou a proposta de R$ 545 com folga.

PREFEITURAS

O fortalecimento do PT nos municípios, tema da reunião de Lula amanhã, tem sido discutido pelo partido desde a vitória de Dilma.

Em novembro, líderes da maior tendência da sigla, Construindo um Novo Brasil (ex-Campo Majoritário), fizeram a primeira discussão sobre o tema, num encontro nacional em Guarulhos (SP).

A avaliação corrente no PT é que o partido tem crescido menos na esfera municipal do que na estadual e federal. A legenda controla a Presidência desde 2003, mas não apresenta a mesma hegemonia sobre as prefeituras.

Em São Paulo, o PT comanda hoje 63 prefeituras. A lista inclui cidades importantes, como Osasco e São Bernardo, mas é considerada desproporcional ao tamanho do partido no país.

O PSDB, maior rival dos petistas no plano nacional, conquistou 208 prefeituras paulistas em 2008. O DEM governa 70 municípios, incluindo a capital (mesmo número do PMDB).

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