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Justiça decreta falência do Grupo Bigolin, lacra lojas e bloqueia bens

14 Mar 2019 - 13h01Por DA REDAÇÃO
Bigolin fechada na rua 13 de Maio, em Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)Bigolin fechada na rua 13 de Maio, em Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)

A Justiça decretou nesta quinta-feira (dia 14) a falência do Grupo Bigolin, que atua há mais de três décadas em Mato Grosso do Sul. A decisão do juiz da Vara de Falências e Recuperações Judiciais, José Henrique Neiva de Carvalho e Silva, é o desfecho de um pedido de recuperação judicia que nasceu em 11 de fevereiro de 2016.

Naquela ocasião, a empresa informou que tinha dívidas de R$ 54 milhões. A justificativa foi o aumento da concorrência, que resultou na redução dos preços, investimento pesado em merchandising e redução de projetos de moradia, como o programa Minha Casa, Minha Vida.

Neste cenário, a Bigolin recorreu a empréstimos em instituições financeiras. A recuperação judicial, medida que cria um plano de ação para evitar a falência, foi deferida em 17 de março de 2016.

De acordo com o juiz, a situação financeira do grupo só fez piorar, mesmo com ações e execuções suspensas por três anos. Relatório do administrador judicial mostra endividamento de R$ 88 milhões em 2017, demora em fornecer informações financeiras, além de alienação de um imóvel de valor expressivo sem avaliação de peritos.

A decisão também aponta que em vez de poupar para pagar credores, recursos são retirados para pagamento de pró-labore aos sócios, o que aumenta o endividamento do grupo. No ano de 2016, o lucro bruto de R$ 234.652,71 foi consumido em despesas gerais (R$ 110 mil) e pró-labore (R$ 197 mil).

A administradora destaca que o grupo, com um passivo de R$ 1 milhão, pagou R$ 365 mil em 2016 e 2017 aos sócios. “Analisando-se todo conteúdo do presente processo de recuperação de empresas, com o devido respeito aos entendimentos em contrário, chega-se a conclusão, sem nenhuma dúvida, que a falência deve ser decretada”, afirma o magistrado.

O juiz decretou a falência de cinco empresas do grupo: Ângulo Materiais de Construção e Serviços, Bigolin Materiais de Construção, Casa Plena Materiais de Construção, D & D Comércio, Construção e Serviços e Nara Rosa Empreendimentos Imobiliários. A Justiça manteve a empresa Pradebon e Cury como administradora, determinou bloqueio de imóveis, veículos e conta bancária. As lojas foram lacradas nesta quinta-feira.

A Bigolin nasceu em 1955 no Rio Grande do Sul, mas foi em 1982, com a inauguração da matriz em Campo Grande, que se tornou um grande grupo. Os negócios foram expandidos para o interior e Estados vizinhos, até o início da crise econômica em 2013.

A defesa do Grupo Bigolin vai se manifestar à tarde, a reportagem não conseguiu contato com a administradora judicial.

Na porta de loja, decisão judicial que manda lacrar lojas. (Foto: Henrique Kawaminami)Na porta de loja, decisão judicial que manda lacrar lojas. (Foto: Henrique Kawaminami)

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