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Bonito, 17 de Novembro de 2017
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1 de Setembro de 2017 06h42

JBS tem alta nos abates, mas participação caiu de 60% para 31,9%

DA REDAÇÃO

Depois de período conturbado que resultou na redução drástica no número de abates, o grupo JBS começa a dar sinais de recuperação em Mato Grosso do Sul.

No mês passado, o Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) registrou o total de 289.226 abates em unidades do Estado.

Deste total, 107,8 mil cabeças foram abatidas nas sete plantas frigoríficas da empresa dos irmãos Batista; volume que corresponde a um aumento de 56,2% (+38,8 mil animais) em comparação ao mês anterior, quando haviam sido registrados 69,033 mil abates. Porém, em termos de participação no mercado, os índices permanecem bem abaixo.

Para Júlio Brissac, analista-chefe e estrategista de mercado da pecuária de corte da Rural Business, essa recuperação, ainda tímida, é reflexo de várias ações para melhorar a imagem da empresa diante o mercado.

Para isso, avalia, foi preciso investir na melhoria da imagem da empresa e dos preços. “Está havendo, sim, sinais de recuperação. A JBS perdeu muito o mercado e teve que se mobilizar, por exemplo, tentando comprar gado com preços mais altos, tanto na venda a prazo quanto à vista”, completou.

No entanto, de acordo com o analista, empresa ainda está longe de retornar aos patamares anteriores aos escândalos, iniciados em março, quando foi deflagrada a operação Carne Fraca pela Polícia Federal, e intensificados após delações de envolvimento em casos de corrupção. 

Quando comparado com janeiro deste ano, por exemplo, o número de abates somente nos frigoríficos da JBS apresentam queda de 7,47%.

No primeiro mês deste ano, a JBS abateu 116,6 mil cabeças no Estado. A redução é ainda maior em comparação ao mesmo período do ano passado. Em julho do ano passado, os abates da empresa fecharam em 132,6 mil cabeças, 18,69% superior a este ano, o que corresponde a uma diferença de 24,8 mil cabeças.

“O cenário de abate de bovinos mudou completamente. A concentração no JBS reduziu nos últimos meses. Em contrapartida, temos frigoríficos de pequeno e médio porte que cresceram em mais de 100%”, completou.

REUNIÃO

Para Brissac, a recuperação do grupo JBS depende da reunião do conselho administrativo da empresa, prevista para 1º de setembro. Nela, explicou, deve ser pedido o afastamento dos irmãos Batista da direção da companhia.

“Isso pode ser uma boa notícia para o mercado e pode ajudar nesse processo de recuperação. Mas, ela [JBS] tem muita conta para pagar nos próximos anos e é preciso vender mais coisas”, destacou.

Nesta segunda-feira, o Conselho de Administração da JBS afirmou que os pedidos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a retirada do presidente-executivo da companhia, Wesley Batista, e contratação de auditoria externa para apuração dos fatos narrados nas delações premiadas dos irmãos Batista seriam prejudiciais para a empresa.

Com isso, a maioria do conselho decidiu pela manutenção de Batista na presidência da companhia, segundo comunicado da empresa ao mercado.

O banco informou que vai defender em assembleia de acionistas da processadora de carne marcada para sexta-feira a abertura de processo de responsabilidade contra os irmãos Wesley e Joesley Batista e outros ex-executivos da empresa por prejuízos causados à companhia.

NOVO CENÁRIO

No mês passado, os frigoríficos da JBS tiveram participação de 31,9% do total de abates registrados no Estado. Este índice, em contrapartida, já chegou à metade dos abates, próximo dos 60%.

O movimento de crescimento de outras empresas diante da crise no JBS teve início em maio e se manteve no mês passado. 

Juntos, os concorrentes abateram 181,344 mil cabeças de animais, 0,98% a mais em comparação ao mês anterior, 179,577 mil cabeças. Esses percentuais, explicou Brissac, são ainda maiores quando comparado ao primeiro mês deste ano. 

“Temos casos de frigoríficos de menor porte que tiveram aumento de mais de 100% e, grandes grupos também tiveram crescimento no Estado”.

O analista cita como exemplo a Empresa Marinho de Agropecuária do Pantanal (EMA), em Corumbá, que teve crescimento de 112,5% no número de abates, passando de 612 cabeças (em janeiro) para 1,301 mil cabeças em julho.

Na unidade da Marfrig em Bataguassu, foram 31,058 mil cabeças abatidas no mês de julho, 4,8% a mais em comparação ao mês anterior e 14% superior a janeiro, quando foram mortos 27,241 mil animais. 

A participação da empresa no mercado da carne deve crescer mais nos próximos meses. No início deste mês,  a companhia confirmou a intenção de retomar as atividades da planta em Paranaíba, com capacidade instalada para 700 cabeças/dia. A expectativa é que a unidade retome os abates no próximo mês.

ANO

Ainda conforme os dados de Mapa, de janeiro a julho deste ano, Mato Grosso do Sul registrou abate de 1,837 milhão de cabeças. O total equivale a uma queda de 2,54% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o número de abates, somando todas as plantas foi de 1,885 milhão de animais.

No Estado são 22 frigoríficos operando, sendo sete deles do grupo JBS. A capacidade ociosa hoje chega a 50%, segundo levantamento feito pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, da Produção e Agricultura Familiar (Semagro). 

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