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Indígenas bolivianos retomam protesto contra estrada financiada pelo Brasil

1 Set 2011 - 10h16Por Terra

Centenas de nativos da Amazônia boliviana reiniciaram nesta quarta-feira uma marcha para La Paz que já leva duas semanas, em rejeição a uma estrada financiada pelo Brasil que cruza um parque ecológico, em meio a tentativas do governo de iniciar diálogo.

Os indígenas, que tinham interrompido o protesto no fim de semana para negociar com o governo, partiram cedo de Totaizal, uma comarca próxima a San Borja (norte), comprovou a AFP.

Nesta quarta-feira, os indígenas devem marchar cerca de 20 km, e depois faltarão cerca de 400 km para chegar a La Paz, o trecho mais difícil, porque é de subida para os Andes bolivianos, que poderão ser percorridos em até 23 dias.

Os manifestantes - que até agora somam mais de 1.500, entre eles mulheres e crianças - partiram há duas semanas de Trinidad, capital do departamento de Beni, com a intenção de chegar à sede de governo, um trajeto de mais de 600 km, dos quais já percorreram 177 km, com vários dias de descanso.

"Nossa posição é firme e invariável, não queremos a estrada pelo TIPNIS, porque haverá dano ambiental", declarou o líder dos indígenas, Adolfo Chávez, que lidera o protesto.

Os indígenas rejeitam uma estrada de 300 km que o governo quer construir por conta dos danos ambientais que causaria ao Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), no centro do país, rico em flora e fauna.

Em La Paz, o ministro da Comunicação, Ivan Canelas, informou que três ministros (Presidência, Interior e Autonomias) estão desde a quarta-feira na cidade de San Borja, de cerca de 45.000 habitantes, com a intenção de dialogar com os líderes dos indígenas.

O titular do Interior, Sacha Llorenti, em coletiva de imprensa nessa cidade amazônica, reiterou que "o governo tem a mais ampla disposição de dialogar, pedimos várias vezes".

Os indígenas disseram que querem dialogar, e pediram que isso ocorra ao menos com 10 ministros. A princípio, os líderes da caminhada pediram a presença do presidente Evo Morales, mas este condicionou que o encontro fosse realizado em La Paz, o que foi rejeitado pelos manifestantes.

O executivo pretende convencer os indígenas a aceitar a estrada, que já está em fase de construção, a cargo da empresa brasileira OAS, apesar de ainda não ter chegado ao território indígena, enquanto os nativos se opõem à construção da estrada.

"Temos uma resposta para cada um desses pontos (objeções)" dos indígenas, disse Llorenti, consultado sobre que tipo de diálogo poderia ser instalado.

Pelo fato de as negociações não terem sido abertas, o grupo de indígenas disse que descansará um ou dois dias em San Borja e posteriormente empreenderá seu trajeto final até La Paz.

No entanto, a marcha passará por redutos políticos do presidente Morales, como Yucumo (a cerca de 50 km de San Borja) e Caranavi, duas cidades hostis aos indígenas que protestam.

De fato, em Yucumo, um grupo de camponeses bloqueou nesta quarta-feira a estrada para evitar o eventual avanço dos manifestantes.

"Aqui em Yucumo vamos concentrar toda a região da Amazônia a fazer um contundente bloqueio aos manifestantes", disse na véspera Ana Vidal, conselheira desse município, a veículos locais.

A conselheira exortou os indígenas a retomar o diálogo e indicou que "apoiamos incondicionalmente o processo de mudança liderado por nosso irmão presidente".

Mas, por enquanto, o protesto continua, em meio a acusações do governo de que os nativos foram apoiados pela embaixada dos Estados Unidos em La Paz, financiados por ONG ambientais ou empresários madeireiros que pretendem aproveitar a riqueza do TIPNIS.

Os indígenas procuraram há mais de três semanas a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos (OEA) para denunciar o governo e interromper a obra.

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