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Idosos aprendem melhor por tentativa e erro

25 Ago 2011 - 17h16Por Revista Veja online

Pesquisadores canadenses encontraram a primeira evidência de que as pessoas idosas retêm melhor a informação se esta for aprendida através de tentativa e erro, em vez da forma passiva, segundo estudo publicado nesta quarta-feira na edição eletrônica da revista Psychology and Aging. "Aprender da maneira mais difícil acabou sendo a melhor maneira", afirmou a coordenadora do estudo, Andree-Ann Cyr.

Educadores e médicos especializados em reabilitação cognitiva se surpreenderam com os resultados. Trabalhos anteriores indicavam que cometer erros durante o aprendizado prejudica o rendimento da memória em idosos, e que a aprendizagem passiva se adapta melhor aos cérebros mais velhos. "A literatura científica apoiou tradicionalmente a aprendizagem sem erros para adultos mais velhos", afirma Cyr.

Em dois testes distintos, os cientistas do Instituto de Pesquisa Rotman Baycrest de Toronto compararam os resultados de exercícios de memória realizados por 45 adultos com cerca de 20 anos com os de 45 idosos, com uma idade média de 70 anos.

Dois métodos de aprendizagem foram aplicados. O primeiro supôs uma aprendizagem passiva, na qual os participantes deviam recordar uma categoria como "flor" e uma palavra relacionada como "rosa". Outro método foi a aprendizagem a partir de erros, na qual se dava a categoria, mas o participante tinha de adivinhar a palavra relacionada.

Esforço cognitivo — A diferença entre os dois métodos é similar à distinção entre ler um livro e ver passivamente um filme. "Requer mais esforço cognitivo quando a pessoa tem que procurar as respostas", afirmou Cyr.

O cérebro faz associações e vínculos mais ricos se tiver que se esforçar para buscar as respostas. Na aprendizagem passiva, exige-se menos do cérebro, porque a resposta correta simplesmente é dada.

Nos dois testes, os participantes recordaram melhor o contexto das palavras-chave se as aprenderam por tentativa e erro. Mas isso ficou mais evidente no caso dos idosos.

"Os idosos costumam experimentar uma diminuição da memória relacionada com a idade, por isso conseguem recordar mais a partir da criação de recordações mais ricas do que os adultos jovens que não estão experimentando problemas de memória", explicou Cyr.

 "Os jovens também têm uma vantagem, já que são muito bons na criação de associações de memória espontânea para tornar suas recordações mais ricas".

 As descobertas poderão ter implicações importantes quanto à transmissão da informação aos adultos mais velhos em aula, aos procedimentos para retardar a deterioração cognitiva e treinar um cérebro envelhecido, segundo Cyr. 

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