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Guma: o bonitense que lutou ao lado de Chico Mendes no Acre

Confira a entrevista com o ex-morador de Bonito, cuja família mora na cidade, que foi o braço direito de Chico Mendes e que esteve com ele até 20 minutos antes ..

6 Jul 2011 - 17h16Por Boni Miranda/Bonito Informa, apresentando entrevista publicada no Correio do Estado

Não há como alguém pretender ser contemporâneo, atual, sem ter assimilado no mínimo de maneira geral a idéia da diversidade.

E o que é diversidade? Diversidade é a condição real da existência humana – o nosso pilar – sustentado pelas diferentes culturas, povos, etnias e países, que viceja no cotidiano, no dia a dia, através das múltiplas contradições.

Só quem por ela se pauta, pode pretender ser um democrata.

Essa introdução é, com o perdão do leitor, apenas para apresentar uma entrevista que consideramos essencial para o bom jornalismo, concedida pelo bonitense (embora não tenha nascido no município) Gomercindo Rodrigues, por telefone,  ao jornal Correio do Estado - ao qual parabenizamos.

Vemos como um autêntico serviço de utilidade pública para um Estado no qual o seu povo precisa conhecer a fundo e verdadeiramente a sua história a partir das contradições existentes e dos valores humanos que possui.

Gomercindo saiu Brasil afora onde abraçou as suas idéias, mas seus pais continuam morando em Bonito, bem como a mais nova dos sete irmãos, a alfabetizadora Janecy Rodrigues. Os outros irmãos residem em diferentes cidades.

É Bonito, pelo mundo.

Boni Miranda/Bonito Informa

Confira a entrevista:

Ativista estudantil e ambiental nascido em Caracol, na fronteira brasileira com o Paraguai, Gomercindo Rodrigues, o Guma, 52 anos, é advogado há 13. No dia seis de abril de 1983, formado em agronomia, desembarcou em Rio Branco (AC), na Amazônia Ocidental. Trabalhou na Colonacre, na Emater, deixou o governo estadual por discordâncias de atuação e virou agricultor por seis meses num projeto do Incra. Contraiu duas malárias.

Conheceu o líder seringueiro Chico Mendes, de quem se tornou um dos mais fortes aliados e com quem esteve até os minutos que antecederam o seu assassinato, ao anoitecer de 22 de dezembro de 1988. “Ele foi meu grande mestre: ensinou-me a resolver situações complexas de forma simples, na linguagem dos seringueiros”, disse.

Durante a ditadura militar, Guma participou de cinco greves. até que o Centro Acadêmico de Agronomia conseguiu a área de 90 hectares onde está localizada a Universidade Federal da Grande Dourados. Com a criação do Diretório Central dos Estudantes da UFMS, do qual foi o primeiro presidente, tomou parte no movimento pelas Diretas já em Mato Grosso do Sul.

Recém-formado e com vontade de trabalhar, aceitou o convite de um colega que ia para o Acre, com trabalho garantido.

“O que eu aprendi com os seringueiros sobre meio ambiente, ecologia e direitos, não aprenderia em nenhuma universidade do mundo. Também tenho essa gostosa ‘dívida’ para com meus amigos e amigas da floresta”.

Cidadão acreano, no ato dos 20 anos do assassinato do líder ecologista, em 2008, ele recebeu o Prêmio Chico Mendes de Florestania, por ter relação com a luta dos trabalhadores rurais no Acre. Seu livro “Caminhando na Floresta” foi traduzido para o inglês e lançado nos Estados Unidos e Canadá, Editora da Universidade do Texas, com o título: “Walking the Forest with Chico Mendes: struggle for Justice in the Amazon”.

De Rio Branco (AC), decorridos 22 anos da morte de Chico Mendes, ele fala ao Correio do Estado, de Campo Grande.

Qual a sua cidade natal, quem são seus pais e onde estudou?

Gomercindo – Meus pais são Asturio Rodrigues e Lucila Garcia Rodrigues, que moram desde 1968 em Bonito. Eu nasci em Caracol, mas me criei em Bonito até a adolescência. Saí para cursar o Ensino Médio no Seminário Salesiano Lagoa da Cruz, em Campo Grande. Entrei na 1ª turma de Agronomia da UFMS em 1978 e saí na 2ª, em 1982. No Acre cursei Direito na Universidade Federal; entrei 1992 e me formei em 1997.

Que lembranças têm dos seus tempos universitários?

Não havia quase nada, só professores para os cursos de licenciatura do então Centro Universitário de Dourados, um dos campi da UFMS. Lutamos para estruturar o curso. De 1978 a 1982 tivemos cinco greves, no final da ditadura militar, e fazer greve era sempre muito arriscado. Com elas conseguimos a área de 90 hectares onde se localiza a Universidade Federal da Grande Dourados. Chegaram professores com pós-graduação, laboratórios e biblioteca. O Curso de Agronomia de Dourados é um dos mais respeitados do País.

Dourados tinha mais condições de instalar o curso?

Foi assim: a cada ano um grupo de 32 alunos lutava para estruturar o curso. Dourados e Campo Grande tinham uma briga política e ele saiu para Dourados porque no período da sua criação ainda funcionava a Universidade Estadual do Mato Grosso. Quem mandava era o governador, que nomeava o reitor. Como ele (José Garcia Neto) estava “queimado” em Campo Grande, resolveu “ficar bem” com Dourados, o 2º colégio eleitoral do sul do então Mato Grosso uno. E decidiu por Dourados, a maior região de produção agrícola.

Houve reação às greves?

No começo, a população e a imprensa de Dourados ficavam contra a gente. Pensavam que queríamos “deslocar” o curso para Campo Grande. E não era isso! Queríamos estruturá-lo em Dourados. Levou uns dois anos para que a situação fosse entendida. Numa das greves conseguimos a doação de 50 ha de terras do então vereador Celso Amaral, o que forçou o então prefeito José Elias Moreira a cumprir a promessa de doar 40 ha, ou seja, em vez de 40 ganhamos 90.

O senhor se posicionou contra as usinas de álcool no Pantanal?

Fui o primeiro vice-presidente geral do DCE. A UFMS tinha vários campi, cada um com um vice-presidente que, na ausência do presidente, representava a entidade. Mas havia um vice-presidente geral. Fiz parte da gestão “Raízes”, presidida pelo hoje engenheiro e empresário Semy Ferraz (N.R.: ex-deputado  estadual em MS, ex-secretário de Obras, ex-presidente da Sanesul e até fevereiro desse ano, presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgotos em Rio Branco). Ajudei a mobilizar os estudantes de agronomia de todo o Centro-Oeste para manifestações contra as usinas de álcool, mas elas acabaram não acontecendo. A Assembléia Legislativa proibiu esse tipo de indústria no Pantanal e na região das nascentes dos rios caudatários do rio Paraguai

Como os seus amigos encararam sua opção de ir para Amazônia?

Quando vim para o Acre, eles sabiam que eu procurava trabalhar no que me formara. Nas lutas do Curso de Agronomia criamos o Centro Acadêmico de Agronomia quando era proibido criar centros acadêmicos. Depois, numa discussão que envolveu todos os campi, criamos também o Diretório Central de Estudantes. A gente engatinhava a luta pela redemocratização do País, que desembocou no movimento Diretas já.

Como foi a sua chegada ao PT?

Eu participei do congresso de refundação da UNE em Salvador e fui um dos fundadores do PT em Dourados. Saí candidato a deputado federal em 1982, o que explica a minha vinda para o Acre. Alguns colegas de turma se empregaram no Governo de Mato Grosso do Sul. Era apenas a 2ª turma e havia enorme carência desses profissionais. Como tinha sido candidato numa eleição ganha pelo PMDB de Wilson Martins, não consegui emprego. Recém-formado e com vontade de trabalhar, aceitei o convite de um colega que vinha para cá com trabalho arranjado. Tentei a sorte no dia seis de abril de 1983, quatro meses após colar grau.

Onde foi seu primeiro emprego no Acre?

Trabalhei na Colonacre por cerca de dois anos, depois na Emater-AC. Saí por problemas políticos: o governo queria que eu fosse funcionário do Estado, eu me comportava como servidor público. Quando os assentados do Projeto Redenção (depois, município de Acrelândia) faziam reivindicações, eu respaldava. Embora novato, me manifestei contra a troca de direção da Colonacre, porque o então presidente se negava a demitir pessoas vindas do governo anterior, para acomodar pessoas da Tendência Popular do PMDB, formada principalmente pelo PC do B. Fui “encostado”.

Como é que o senhor virou agricultor?

Passei em 1º lugar para agrônomo da Emater em janeiro de 1985. Ocorre que o governo era o mesmo. As pressões políticas continuaram para que eu não fosse trabalhar em campo. Fiquei três meses e pedi demissão. Comprei um lote de terras no Pr

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