Menu
KAGIVA
quarta, 15 de agosto de 2018
ITALÍNEA DOURADOS
Busca

Governo corta verba para alcoolismo e eleva para droga ilícita

21 Jun 2011 - 07h31Por Folha.com

É a política do cobertor curto. O governo reduziu entre 1998 e 2007 as verbas para tratar dependentes de álcool e aumentou para quem usa drogas ilícitas como crack, cocaína e maconha, segundo levantamento do economista Daniel Cerqueira, da Fundação Getúlio Vargas do Rio.

Hoje, tratamento de alcoolismo é ambulatorial, diz ministério

Não há números muito precisos, mas a dependência de álcool atinge cerca de 16 milhões de pessoas. Já os dependentes de drogas ilícitas não são mais do que 6 milhões.

A queda de gastos foi detectada a partir do Datasus, que reúne dados do sistema de saúde pública no país.

Em 1998, o governo gastou R$ 413 milhões em tratamentos de transtornos do álcool. Em 2007, essa cifra caiu para R$ 226 milhões, um recuo de 45%. As internações nesse período diminuíram 26% (de 87.889 para 65.159).

Com as drogas ilícitas, ocorreu o fenômeno inverso: houve aumento de verbas, mas numa proporção menor do que o crescimento das internações. Os gastos com tratamentos, que eram de R$ 55 milhões em 1998, alcançaram R$ 95 milhões em 2007.

O número de internamentos explodiu nesse período. Passou de 13.905 em 1998 para 32.847 dez anos depois, um salto de 136%.

O total das verbas para tratar dependência de álcool e de drogas ilícitas caiu 31% nesses dez anos, de R$ 468 milhões para R$ 321 milhões.

SEM JUSTIFICATIVA

O Ministério da Saúde confirma que as internações para álcool caíram, mas diz que os recursos aumentaram.

O álcool é apontado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como a droga mais consumida no mundo. Seu uso é responsável por 4% das mortes, segundo a entidade.

"Essa queda de recursos para os transtornos do álcool é escandalosa", diz Dartiu Xavier, diretor do Proad (Programa de Orientação e Assistência a Dependentes).

Não faz sentido, segundo ele, diminuir recursos para um problema que é muito maior do que o das drogas.

"O álcool precisa de mais internação do que as outras drogas porque a síndrome de abstinência exige um atendimento hospitalar", diz.

A psicóloga Ilana Pinsky, vice-presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas) e defensora das internações, diz que a estratégia do governo é esconder a redução dos gastos com álcool. "Estão usando o drama do crack, que é grave, para não falar de álcool."

O programa federal contra a dependência chama-se Plano de Combate ao Crack e Outras Drogas.

Para o psiquiatra Valentim Gentil, professor da USP, os cortes de verbas para álcool integram uma política de redução de leitos de psiquiatria. O governo fechou 80 mil leitos entre 1989 e 2010. 

Deixe seu Comentário

Leia Também

STOCK CAR 2018
Bons retrospecto em MS anima pilotos da Cavaleiro Sports
CASO DE POLÍCIA
Boliviana denuncia estupro de criança de 8 anos em fazenda no Pantanal
CIDADES
Na contramão do nacional, MS registra queda na mortalidade materna
POLÍTICA
Para eleitores, 2º turno a presidente será entre Bolsonaro e Alckmin
POLÍTICA
Aprovado projeto que proíbe pedófilos de concorrer em concurso estaduais
SAÚDE
CFM lança código de ética para estudantes de medicina
ECONOMIA
Empresários brasileiros buscam ampliar parcerias com o Paraguai
EDUCAÇÃO
Resolução libera curso Técnico de Hospedagem em polo de escola no interior do Estado
CULTURA
Publicado edital de seleção para artesãos participarem do Salão do Artesanato em São Paulo
BONITO - MS - PODAS ORNAMENTAIS
Empresas credenciadas poderão realizar podas ornamentais em Bonito (MS)