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Febre aftosa: Brasil apoiará ações de emergência no Paraguai

6 Out 2011 - 10h14Por Correio do Estado

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por meio do Departamento de Saúde Animal (DSA), disponibilizará especialistas para auxiliar as autoridades paraguaias na investigação e erradicação do foco de febre aftosa. A decisão foi tomada em conjunto com os demais países integrantes do Comitê Veterinário Permanente do Conesul (CVP) após o encerramento da reunião ordinária realizada em paralelo ao Encontro Nacional de Defesa Sanitária Animal (Endesa), ontem.

O pedido de apoio partiu do presidente do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa, sigla em espanhol), Carlos Simon, durante a reunião com representantes da Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia. A ideia é integrar os serviços veterinários e definir uma estratégia conjunta para colaborar com as autoridades paraguaias e contribuir com a segurança da região. Segundo Simon, o país vem adotando todos os procedimentos recomendados pela OIE e já sacrificou 819 bovinos, mas precisará de apoio técnico e científico para avançar no processo. O reforço já foi solicitado para o Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa, sigla em espanhol), que deverá formular um plano de cooperação e enviar uma missão ao país nos próximos dias. A estimativa é de que os prejuízos provocados pela doença alcancem os US$ 300 milhões até o final do ano no Paraguai.

“O objetivo é fortalecer e complementar as ações que o Paraguai já vem fazendo. Precisamos trabalhar de forma estratégica, com base em ciência e atuação cooperada para que possamos ter todo o continente livre de aftosa. Risco zero não existe em nenhum país do mundo. Até mesmo o Japão, que é uma ilha, teve um caso recentemente. É um inimigo invisível e permanente, que exige um trabalho que não cessa jamais”, salienta o diretor do DSA e representante do Brasil no CVP, Guilherme Marques.

O Ministério da Agricultura deverá contribuir com apoio operacional e de especialistas das áreas de epidemiologia, vigilância e diagnóstico laboratorial, além das medidas de prevenção que já vêm sendo intensificadas pelo Brasil na fronteira com o Paraguai desde a notificação do foco, em 19 de setembro. Entre elas estão o acionamento do alerta sanitário nos quatro estados mais próximos – Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul -; apoio militar na fiscalização até o final de outubro (podendo ser prorrogado por igual período); deslocamento de um número maior de fiscais federais agropecuários para a região; proibição da importação de animais suscetíveis e produtos que representem risco; reforço da fiscalização de trânsito de animais, produtos e sub-produtos na fronteira; desinfecção de veículos e avaliação da estratégia diariamente por meio de videoconferências desde Brasília até as ações desenvolvidas nos estados.

De acordo com Marques, o Brasil desenvolve um trabalho de prevenção diferenciado na divisa com o Paraguai desde 2007 – quando foi definida a Zona de Alta Vigilância (ZAV) - e, hoje, o país é uma referência profissional, técnica e econômica para a América do Sul, com o maior rebanho comercial do mundo.

“Nunca estivemos tão preparados para enfrentar um desafio externo como agora. As estruturas veterinárias brasileiras, tanto no âmbito federal quanto estadual, estão aptas a reduzir de forma bastante expressiva o risco de reintrodução da febre aftosa no Brasil”, avalia.

O diretor do DSA reforça, ainda, que todos os atores envolvidos no processo – veterinários privados, fazendeiros e cidadãos – devem estar atentos e informar ao serviço veterinário oficial qualquer suspeita da ocorrência de febre aftosa no país.

“Quando um sistema de vigilância não tem suspeitas de febre aftosa, passa a ser suspeito o próprio sistema”, alerta. 

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