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Família espanhola volta a ser pobre depois de ganhar mais de R$ 12 milhões

17 Ago 2011 - 12h04Por Estadão.com

A crise marcou a vida do espanhol ANP, dividindo-a em dois períodos distintos. Ele chegou a ganhar milhões de euros e hoje, desempregado, é obrigado a pedir ajuda para não passar fome.

Um ano antes da crise ele tinha duas casas, três carros e salários anuais equivalentes a R$ 150 mil. Um ano depois, dívidas, bens confiscados e necessidades básicas desatendidas. "É difícil de acreditar", desabafa.

Aos 54 anos (ele pediu para não ter o nome ou o rosto divulgado), ele é um retrato fiel da crise que atinge trabalhadores que até pouco tempo atrás tinham bons níveis de vida e perderam tudo.

Mestre de obra em mais de 30 anos na construção civil, chegou a ganhar mais de R$ 12 milhões em oito anos no período do boom do setor.

Mudança de realidade

Os salários que superavam os R$ 13 mil mensais lhe animaram a comprar duas casas, três carros e a consentir que o filho deixasse os estudos antes de concluir o segundo grau. Como operário, o rapaz ganhava mais do que um universitário.

Mas a realidade mudou. A construtora em que pai e filho trabalhavam faliu. A empresa, que também financiava a compra de imóveis para os empregados, deixou de pagar bancos, fornecedores e trabalhadores.

Resultado: bens confiscados, dívidas acumuladas e toda a família desempregada há um ano. Desde fevereiro, a solução tem sido o restaurante comunitário da organização de caridade católica São Vicente de Paula no centro de Madri.

Poço

"Veja bem o que há aqui! Não estamos falando de indigentes. São trabalhadores: asseados, arrumados, educados... Caíram num poço sem saber como. É uma situação impressionante", explicou à BBC Brasil a freira Maria Mercedes Morilla, coordenadora do restaurante São Vicente.

ANP ouviu a descrição e se emocionou. Confessou que no princípio sentia "imensa vergonha" de pedir ajuda. Mas passou a contar com o apoio também psicológico das freiras da congregação Filhas da Caridade. "Aprendi a ser agradecido e a ver este auxílio como uma salvação para esta etapa duríssima", afirmou.

"Porque o pior não é ter caído neste poço. O pior é não ver saída na minha idade, ter deixado meu filho se endividar, largar os estudos... Se não fosse por isso aqui (mostra a sacola com alimentos dada pelas religiosas), minha família não teria o que comer", diz.

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