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EUA: após década de guerra, onda de suicídios afeta veteranos

25 Ago 2011 - 13h45Por Jornal do Brasil

 Um soldado mata sua mulher e se mata. Outro veterano de guerra se enforca, desesperado. Um terceiro coloca uma arma na cabeça e puxa o gatilho em um posto de gasolina durante confronto com homens da lei no Texas.

Suicídios cometidos por veteranos como os descritos acima poderiam ter deixado suas comunidades chocadas. Mas não é o que ocorre atualmente, já que as tropas e as famílias encaram esses eventos como "normais" para o Exército americano que já passa uma década em guerra.

Melissa Dixon percebe o estresse nas tatuagens que desenha nos soldados que retornam dos combates.

"Alguns deles têm problemas com suas mulheres e seus entes queridos, e ficam brigando, e outros têm amigos que cometeram suicídio", disse.

Não há lugar como Fort Hood no Exército. A base militar que enviou duas divisões de soldados ao Iraque três vezes desde a invasão, e registrou mais suicídios desde 2003 que qualquer outro - 107.

Soldados de grandes bases como Fort Hood, que tiveram papel importante na mobilização de militares, sofrem mais riscos de suicídios. A base de Killeen, a nordeste da capital do Texas, Austin, registrou um recorde no Exército no ano passado, com 22 suicídios.

Em outros lugares, como na cidade de Fort Bragg, Carolina do Norte, que abriga a 82ª Divisão Airborne, houve 77 suicídios de soldados desde 2003.

Em Fort Campbell, Kentucky, que abriga a 101ª Divisão Airborne, 75 soldados morreram pelas próprias mãos nos últimos oito anos.

Mas o problema é generalizado. No ano passado, um recorde de 300 soldados em atividade, da reserva ou da Guarda Nacional, se mataram.

Os números parecem ter caído levemente em 2011, mas 32 soldados em atividade se mataram em julho, o índice mais alto desde que o Exército começou a registrar o fenômeno, em janeiro de 2009.

O número dois na hierarquia do Exército, general Peter Chiarelli, expressou decepção, mas insistiu que os programas de prevenção ao suicídio instituídos no pico da onda de mortes foram úteis.

O Exército distribuiu cartilhas e cartões para ajudar a detectar comportamentos suspeitos, lançando uma força tarefa que registra as mortes e desenvolve novas estratégias de intervenção, dando início a dois grandes projetos de pesquisa.

"Enquanto o alto número de potenciais suicídios em julho é desalentador, estamos confiantes de que nossos esforços aumentam a resistência dos indivíduos, enquanto reduzem a incidência de comportamentos de alto risco dentro da força. Está havendo impacto positivo", disse.

No entanto, é difícil ver algum progresso.

Os índices de suicídio subiram fortemente desde o início da guerra no Iraque, com o número dobrando de 80 em 2003 para 162 em 2009.

A maior parte dos que morrem é militar de baixa patente.

Aproximadamente duas em cada três vítimas serviram em ao menos uma missão de combate. A maior parte delas é de homens.

Um deles, o sargento Jared Hagemann, foi encontrado morto com um tiro de revólver na cabeça no início deste verão no Hemisfério Norte. Soldado de comando no estado de Washington, ele esteve oito vezes em combate.

O Exército recentemente aposentou o general George Casey, mas não estava claro se sua dispensa ocorreu por motivos de estresse.

Mas no ano passado ele admitiu que sua saída estava ligada ao estresse, que ajudou a arruinar seus relacionamentos. "Ao olhar para o passado, houve estresse", disse Casey.

Contudo, não são apenas soldados da ativa que sofrem com os problemas de estresse.

O aumento dos índices de suicídio do ano passado ocorreu também pela alta das mortes na guarda e na reserva.

Tendo passado mais da metade do ano, o comandante da reserva do Exército, general Jack Stultz, vê pouca melhora, mas ainda está tentando ajudar suas tropas, que são soldados-cidadãos frequentemente desconectados do apoio militar.

"As taxas de suicídio entre soldados da reserva estão mais ou menos no mesmo patamar que estavam nesse mesmo período do ano passado, então a boa notícia é que não estão aumentando, a má notícia é que não estão diminuindo", declarou.

Muitos dos suicídios ocorreram discretamente.

O sargento Gregory Eugene Giger ficou deprimido após um divórcio que começou quando ele estava no Iraque.

Um dos 22 suicídios em Fort Hood em 2010, ele foi encontrado enforcado com uma gravata em seu apartamento. Sua mãe descreve o filho como um texano "alto e quieto", que estava devastado pela separação. "Acredito que havia muitas coisas que ele guardava para si mesmo", disse Helen Giger.

Killeen, uma cidade militar desde a Segunda Guerra Mundial, teve a sua fatia de violência que incluiu um massacre em 1991, quando um atirador matou 23 pessoas em um restaurante antes de se matar.

Aproximadamente dois anos atrás, um psiquiatra do exército, major Nidal Malik Hasan foi baleado depois de um ataque que deixou 13 mortos e 32 feridos em Fort Hood.

Em um fim de semana prolongado no ano passado, quatro soldados, todos veteranos de combate, cometeram suicídio.

Um deles, sargento Michael Timothy Franklin, foi acusado de matar sua mulher na casa deles antes de se matar.

Um mês antes, Armando Galvan Aguilar Jr., 26 anos, foi encurralado pela polícia em um posto de gasolina no nordeste de Fort Hood após uma perseguição de carro.

"Mando", como era conhecido entre os amigos, tinha voltado do Iraque havia um ano. Médicos de Fort Hood o trataram por estresse pós-traumático e depressão, mas ele ainda sofria.

Ele tinha insônia e às vezes misturava álcool com medicamentos.

Na última noite de sua vida, Aguilar bebeu 30 latas de cerveja. Atirou na cabeça com uma arma calibre 45 emprestada de um amigo soldado que, ironicamente, estava tentando cometer suicídio. 

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