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17 de Março de 2011 17h18

Engenheiros conseguem reconectar energia de reator do Japão

Folha.com

O Japão informou nesta quinta-feira que engenheiros conseguiram colocar um cabo de energia da rede externa do reator 2 da usina nuclear de Fukushima Daiichi, em meio a uma bem sucedida operação para esfriar o reator 3. Os avanços são uma boa notícia em meio aos esforços do governo japonês para conter uma catástrofe nuclear.

 "Eles planejam religar a energia na unidade 2 assim que o lançamento de água sobre o reator 3 estiver finalizado", disse a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), em um comunicado, com base em informações cedidas pelo governo japonês.

O cabo, de mil metros de extensão, ligará a rede principal de energia ao reator para tentar reativar o funcionamento das bombas de água responsáveis pelo resfriamento do reator 2 --que foram desligadas depois do terremoto e tsunami da última sexta-feira (11).

A agência nuclear do Japão disse que o reator 2 foi o primeiro a receber eletricidade porque sua cobertura não foi afetada.

Segundo a agência de notícias japonesa Kyodo, a tentativa inédita de esfriar a piscina de combustível usado do reator com toneladas de água também foi bem sucedida.

As equipes lançaram cerca de 64 toneladas de água com helicópteros e caminhões de combate a incêndio das Forças de Autodefesa (equivalente ao Exército). Um caminhão com jato de água da Polícia Metropolitana, utilizado para conter motins, também foi utilizado na operação.

A companhia disse que o vapor que saía do reator 3, parcialmente destruído, estava menos tóxico, o que sugere que a piscina foi efetivamente resfriada. Caso a temperatura não tivesse diminuído, a piscina emitiria um número maior de materiais radioativos.

Em outro sinal do sucesso da operação, a empresa não registrou mudanças significativas nos níveis de radioatividade. A Kyodo informa que os funcionários passaram por exames e que nenhum problema de saúde foi registrado.

Durante a reunião da cúpula da força-tarefa o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, agradeceu a equipe pelo empenho nas "operações tão perigosas".

MAIS ÁGUA

Diante do sucesso da operação, o secretário do Gabinete Yukio Edano disse a repórteres que o lançamento de água deve continuar nesta sexta-feira. O objetivo primário é impedir qualquer vazamento massivo de materiais radioativos da piscina para o ar.

A mesma fumaça branca vista no reator 3 foi confirmada no reator 2, sugerindo que a piscina de combustível usado também pode estar em ebulição.

O aumento da temperatura da água desta piscina, normalmente de 40ºC, faz com que a água se dissipe e exponha as varetas de combustível nuclear usado. Sem o líquido, que as isola do exterior, elas ficam então suscetíveis às altas temperaturas e podem derreter. No pior dos cenários, podem liberar material altamente radioativo.

Apesar das boas notícias, cresce a preocupação que o mesmo processo esteja ocorrendo no reator 4, já que a piscina teria ficado exposta com a explosão de hidrogêneo no começo da semana. Segundo a agência nuclear japonesa, os esforços de injeção de água fria vão focar também neste reator.

SÉRIO, MAS ESTÁVEL

Mais cedo, A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) informou que a situação nos reatores danificados da usina nuclear continua sendo "muito séria", embora não tenha piorado desde a última quarta-feira (16).

Graham Andrew, assessor do diretor-geral da AIEA, declarou à imprensa que a situação no reator quatro da usina é a 'de maior preocupação', já que não se sabe nada sobre o nível de água nos reservatórios de combustível nuclear e nem sobre sua temperatura desde 14 de março. Os especialistas da AIEA não descartam que esteja fervendo, o que aumentaria drasticamente a temperatura e pressão e poderia causar uma explosão.

A situação dos reatores 1, 2 e 3 é "relativamente estável", disse Andrew. Já a temperatura nas piscinas de resíduos nucleares dos reatores 4, 5 e 6 é muito superior ao permitido, chegando ao triplo do recomendado.

Em todo caso, o especialista da AIEA advertiu que ainda é 'muito cedo' para poder dizer que há esperança para a crise nuclear em Fukushima.

"É provável que [a situação] não tenha piorado, mas ainda é possível que piore. Não quero especular", disse Andrew, que está a caminho do Japão, onde o diretor-geral, Yukio Amano, pretende visitar pessoalmente o local.  

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