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Brasil - Política

Dilma escolhe companheira de prisão para ser Ministra

A informação foi confirmada em nota divulgada pela Presidência da República.

7 Fev 2012 - 08h35Por R7

A ministra Iriny Lopes, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, anunciou nesta segunda-feira (6) que vai deixar o governo. Iriny é pré-candidata à prefeitura de Vitória. Seu lugar será ocupado pela socióloga Eleonora Menicucci de Oliveira. A informação foi confirmada em nota divulgada pela Presidência da República.

Eleonora é professora e pró-reitora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e amiga da presidente Dilma Rousseff. As duas chegaram a dividir uma cela na década de 1970, no presídio Tiradentes, conhecido por Torre das Donzelas, que abrigava prisioneiras políticas durante o regime militar.

De acordo com a nota da Presidência, “depois de dar relevante contribuição ao governo, a ministra será substituída na pasta pela socióloga e professora Elenoroa Menicucci de Oliveira. A presidente da República, Dilma Rousseff, agradece a dedicação de Iriny Lopes ao longo desse período e lhe deseja boa sorte em seus futuros projetos. A presidente deseja, ainda ,sucesso a Eleonora em suas novas funções à frente da secretaria responsável por políticas que têm contribuído para melhorar a vida das brasileiras.”

Com a saída de Iriny, já somam 13 os ministérios que tiveram seus titulares trocados desde o início do governo Dilma. A agora ex-ministra, no entanto, entra no seleto rol daqueles que não viram seus nomes envolvidos em suspeitas de irregularidades.

Além de Iriny, fazem parte da lista Luiz Sérgio e Ideli Salvatti, que fizeram uma dança das cadeiras entre a Secretaria da Pesca e a de Relações Institucionais, Nelson Jobim, que saiu da Defesa, e Fernando Haddad, que deixou a Educação para concorrer à prefeitura de São Paulo e viu Aloizio Mercadante substituí-lo.

Na outra ponta, daqueles que tiveram de renunciar sob suspeitas, constam Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo), Orlando Silva (Esporte), Carlos Lupi (Trabalho) e Mário Negromonte (Cidades).
Tortura

Eleonora Menicucci de Oliveira, 67 anos, nasceu em Lavras, Minas Gerais. Ela é professora de Ciências Humanas em Saúde da Universidade Federal de São Paulo e atua principalmente com os temas relacionados a direitos reprodutivos, saúde integral da mulher, violência doméstica e sexual, aborto, direitos humanos e políticas públicas de saúde.

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais, Eleonora tem mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba, doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e livre docência em Saúde Coletiva pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Fez pós-doutorado em saúde e trabalho das mulheres na Facultá de Medicina della Universitá Degli Studi Di Milano, na Itália.

Eleonora militava na esquerda desde 1964, primeiro no PCB (Partido Comunista Brasileiro) e depois no POC (Partido Operário Comunista). Em julho de 1971, foi presa e torturada no DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), onde ficou até 1974.

Foi nesse período, já na Torre das Donzelas, que reencontrou Dilma. As duas já se conheciam desde a época em que militavam em Belo Horizonte, mas foi no presídio Tiradentes que estreitaram a amizade. Foi também ali que viu sua filha, Maria, de apenas 1 ano e 10 meses, ser torturada pelos militares.

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