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Dez dos mais ricos do país perderam R$ 30,8 bilhões com a queda da Bolsa brasileira

22 Ago 2011 - 13h43Por O Globo

O tombo dos mercados internacionais tornou um pouco menos doce a vida de bilionário no Brasil, especialmente aqueles que têm seu patrimônio atrelado ao humores dos investidores na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Dez das pessoas mais ricas do país perderam somadas, este ano, R$ 30,8 bilhões com a queda das ações de suas empresas no mercado. É como se lhes escorresse entre os dedos uma BRF-Brasil Foods, a dona das marcas Sadia e Perdigão e terceira maior exportadora brasileira. Levantamento do GLOBO com base em documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostra que a fortuna em Bolsa dos maiores ricaços brasileiros - como banqueiros, industriais e varejistas, entre outros - recuou de R$ 85,7 bilhões para R$ 54,8 bilhões nos últimos oito meses. Essa perda, claro, pode ser apenas temporária, afinal, eles não venderam suas participações acionárias e o mercado pode se recuperar.

Somente o empresário Eike Batista, homem mais rico do Brasil e sétimo do mundo segundo a revista "Forbes", perdeu R$ 19,8 bilhões este ano. Esse foi o tamanho da queda do valor de mercado das ações que possui nas empresas "X", letra com a qual batiza suas seis companhias listadas na Bolsa. Nada que tire a noite de sono do bilionário de Governador Valadares, que ainda tem R$ 31,7 bilhões com as ações das empresas. Tanto que, há duas semanas, ele comprou mais um jatinho para sua "frota" particular, a um custo de US$ 10 milhões.

- As minhas companhias são uma espécie de poupança, mas com retorno gigante. Um negócio desse você não vende - disse recentemente Eike em entrevista ao GLOBO, ao explicar porque as perdas bilionárias não tiraram seu sono.

Para um cidadão comum, também é difícil imaginar o tamanho da fortuna que a matriarca da família Steinbruch, Dorothéa, perdeu neste ano. Viúva de Mendel Steinbruch, co-fundador do Grupo Vicunha, Dorothéa e família perderam R$ 5,1 bilhões com a queda das ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O valor das ações na siderúrgica de Volta Redonda encolheu para R$ 6,9 bilhões. Mas essa perda não pesou tanto no orçamento da família. Benjamin Steinbruch, filho de Dorothéa e comandante da CSN, aproveitou no começo do ano uma "barganha" em Nova York para comprar por US$ 18,8 milhões um luxuoso apartamento na Quinta Avenida, ponto nobre de Manhattan. Uma estimativa aponta que a família recebeu cerca de R$ 500 milhões em 2011 apenas em dividendos da CSN, como são chamadas as parcelas de lucros que as empresas distribuem anualmente aos seus acionistas.

Outra fortuna em baixa é a dos herdeiros da Porto Seguro, uma das maiores seguradoras do país. O discreto Jayme Garfinkel, seu principal acionista, ficou R$ 1,23 bilhão menos rico. O engenheiro começou na empresa ao 26 anos, como assistente do pai, Abrahão Garfinkel, e entrou na lista de bilionários da revista "Forbes" após a abertura de capital da Porto Seguro na Bolsa. Mas as ações da companhia não têm sido poupadas por investidores em 2011 e acumulam um forte desvalorização de 35%.

Já as herdeiras do Bradesco, Lia e Lina Maria Aguiar, veem suas fortunas encolher em mais de R$ 500 mil a cada variação de R$ 0,01 nas ações do banco. Isso também vale, no sentido contrário, quando as ações se valorizam. Neste ano, o patrimônio das filhas de Amador Aguiar, fundador do Bradesco, caiu em R$ 225,4 milhões e R$ 185,6 milhões, respectivamente, valor que considera apenas os papéis que elas detêm da instituição financeira.

O ex-dono da Arisco João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, controlador da rede de supermercados Hypermarcas, com sede em São Paulo, teve uma baixa de R$ 1,2 bilhão no patrimônio em oito meses. Uma perda "um pouco" menor que a do sírio Elie Horn, controlador da construtora Cyrela, uma potência do setor no país. Horn, que está no Brasil desde os 11 anos de idade, viu seu patrimônio encolher em cerca de R$ 1 bilhão. Mas ambos ainda fazem parte do seleto grupo de bilionários do país.

O bilionário da saúde Edson Godoy de Bueno e sua ex-mulher Dulce, controladores do grupo Amil, perderam R$ 342,97 milhões. Fundador da empresa, Bueno foi o autor, ao lado do médico Jorge Rocha, da famosa publicidade da empresa nos anos 80, o "231-1000". Ele controla atualmente, com a ex-mulher, mais de 60% da Amil. Mas, na tomada de decisões, Bueno vota em nome de Dulce.

O tombo nas fortunas não guarda relação com a administração das companhias. A origem das perdas, sim, está nas economias dos Estados Unidos e da Europa, que devem crescer menos do que o imaginado nos próximos anos. E, na Europa, há ainda a preocupação sobre a dívida de países como Grécia, Itália e Espanha. Esses temores têm levado investidores a venderem pesadamente ações no Brasil, mercado considerado mais arriscado, derrubando o preço dos papéis. O Ibovespa, índice de referência no mercado brasileiro, derrete 24,32% neste ano, uma das maiores baixas no mundo. O Dow Jones - principal índice da Bolsa de Nova York - tem baixa mais modesta, de 6,56%.

Exemplo disso é a empresa de papel e celulose Fibria, que no fim de julho divulgou lucro líquido de R$ 215 milhões no segundo trimestre, o que representou aumento de 66% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Isso não impediu que as ações acumulassem uma perda de 47% no ano. E que a fortuna o bilionário Antônio Ermírio de Moraes, 83 anos, comandante da empresa, encolhesse R$ 1,6 bilhão neste ano, incluindo na conta a participação de seus parentes.

O mesmo vale para o empresário Abilio dos Santos Diniz, controlador do Pão de Açúcar, dono das bandeiras Pão de Açúcar, Extra e Assaí. Sua empresa apresentou um lucro de R$ 91 milhões no segundo trimestre de 2011, resultado 64% acima do mesmo período do ano anteiror. Mesmo assim, a ação da empresa tem perda 14,23% na Bolsa. E a fortuna de Abilio Diniz recuou em R$ 290,63 milhões. O varejista francês Casino assume, no próximo ano, o controle do grupo.

Com as perdas, os brasileiros podem perder espaço no ranking de bilionários da revista "Forbes". Na edição de março, 30 apareciam na listagem. Um dos maiores candidatos a isso é o empresário Eike Batista. Recentemente, ele descartou essa hipótese ao dizer que "quando a maré baixa os barcos bonitos, os iates de alto luxo e as canoas baixam". É verdade. Mas poucas ações perderam tanto quanto as de seu grupo nos últimos meses. A petrolífera OGX, por exemplo, tomba 46% no ano.

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