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13 de Abril de 2011 17h35

Desigualdades sociais e econômicas dificultam a prática da democracia

Agência Brasil

As desigualdades socioeconômicas no Brasil, além da concentração de renda e de poder, são os principais entraves para a prática da democracia. A avaliação é da antropóloga Moema Miranda, diretora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e uma das coordenadoras do seminário Incluindo os Excluídos na Política Global, que começou hoje (13), na capital fluminense.

Para a antropóloga, oferecer melhores condições de vida e de renda para a população é condição básica para que as pessoas possam discutir, nas esferas políticas, melhorias em suas vidas e contribuir para o funcionamento da sociedade. O evento é organizado pelo programa internacional Building Global Democracy (BDG), que estimula o engajamento dos cidadãos na vida política.

Em entrevista à imprensa, Moema Miranda criticou a falta de fóruns adequados para subsidiar a discussão e a participação de povos de todo mundo nas decisões de questões globais, como os fenômenos climáticos e as crises econômicas. Pensar estratégias democráticas para assegurar a representatividade de todos é o objetivo do evento, que termina na sexta-feira (15).

"Democracia não implica em não conflito. As divergências continuam a acontecer. O desafio é fazer a gestão dos conflitos sem violência. A nossa questão é construir organismos de articulação que façam com que as divergências não terminem em conflito ou em guerra", afirmou.

Durante o seminário, serão apresentados dez estudos de caso sobre ações tomadas em nível local que extrapolaram para o plano internacional. Entre elas, está a da líder comunitária da África do Sul Rose Molokoane, que começou com projeto de construção de casas populares no bairro e hoje discute o direito à moradia em fóruns internacionais.

"A democracia não vem numa bandeja de prata. Tem que se lutar por ela. Precisamos entender que a democracia tem que ser construída com os pobres e não para os pobres", afirmou.

O egípcio Ahmed Naguib, que participou do movimento contra o governo do ex-presidente de seu país Hosni Mubarak também deve falar sobre o engajamento da população pela saída do ditador. Durante palestra rápida, Naguib defendeu a participação política apartidária de jovens e o poder de influência da mídia.

Os professores universitários João Pacheco de Oliveira e Andrey Cordeiro farão, no evento, uma reflexão sobre os problemas fundiários enfrentados por povos indígenas, que têm acionado com frequência organismos internacionais para pressionar o governo. O último caso ocorreu com a Usina Hidrelétrica Belo Monte (PA), questionada na Organização dos Estados Americanos (OEA).
 

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