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Crise internacional piora e bancos preveem crescimento menor da economia

15 Set 2011 - 10h33Por Agência Brasil

A piora do cenário internacional levou os bancos a reduzir a projeção de crescimento da economia brasileira este ano. Pesquisa divulgada ontem (14) pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indica que os analistas das instituições financeiras projetam crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em agosto, estimava-se uma expansão de 3,9%.

O cenário externo foi o motivo apontado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) para reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 12% ao ano. Os bancos acreditam que a Selic deve cair ainda mais e fechar 2011 em 11%.

Para o economista-chefe da federação, Rubens Sardenberg, boa parte das incertezas em relação a economia global vem da situação da União Europeia, que vive “uma nova rodada da crise das dívidas soberanas”. Os Estados Unidos, apesar de também passar por dificuldades, têm uma situação relativamente estável.

A previsão de crescimento do PIB norte-americano este ano também caiu, na projeção dos financistas, dos 2,5% estimados em agosto para 1,8% no levantamento deste mês. Devido aos impasses entre a oposição e o governo dos EUA, Sardenberg acredita que a situação só seja resolvida com a eleição do novo presidente, em 2012. “Com uma política de ajuste de longo prazo”, ressaltou.

Os problemas enfrentados pelos países mais desenvolvidos deverão se refletir ainda no mercado de crédito, segundo as projeções dos bancos. A previsão de expansão do crédito em 2011 caiu de 16,4% para 16% entre as últimas pesquisas.

Mesmo com a perspectiva de cenário externo ruim, redução no ritmo de crescimento da economia e menor expansão do crédito, as instituições financeiras aumentaram ligeiramente a estimativa de inflação para este ano. Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a previsão passou de 6,3% na pesquisa de agosto para 6,4% em setembro. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) também foi elevado em 0,1 ponto percentual, para 5,9%.

De acordo com Sardenberg, isso acontece porque, apesar da desaceleração da economia brasileira, ainda existe uma pressão de demanda em relação a produtos básicos com cotação internacional (commodities) e alimentos em geral. “A economia cresce menos, mas o consumo permanece em patamar elevado”, disse o economista.

Com relação ao comportamento do câmbio, as instituições financeiras estimam que o dólar feche o ano cotado a R$ 1,63. Em agosto, a previsão era R$ 1,59.

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