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22 de Março de 2011 08h53

Criança morre após parto em maternidade da Capital e pai culpa o poder público

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E.V, de 14 anos, estava grávida de cinco meses e acabou perdendo o bebê no domingo (21), na maternidade Cândido Mariano em Campo Grande. “O SUS (Sistema Único de Saúde) recusou fazer o cartão por falta de um documento com fotografia. Ela não conseguia fazer o pré-natal", disse o marido da adolescente, Oséias Oliveira, 27.

Segue o relato do marido: "Quando descobrimos que ela estava grávida fomos até o Posto de Saúde do bairro Santa Carmélia para fazer todos os exames que uma gestante tem direito. Ela tinha somente a segunda via da certidão de nascimento que também havia perdido. A mãe dela é alcoólatra e não conhece o pai. Então fica difícil para fazer qualquer documento com foto”.

No quarto mês da gestação E.V, conseguiu fazer o primeiro procedimento de ultrassom para saber o sexo do bebê no Posto de Saúde do Coronel Antonino.

“Era um menino, pedi para fazer o pré-natal e perguntei se o bebê estava bem. Todos os médicos diziam que teria que fazer o cartão do SUS para fazer as consultas. Explicava para todos os médicos a minha situação e ninguém agendava para fazer os exames de gestante. Tenho o número do prontuário, mas não tenho o cartão e todos se recusavam fazer o tratamento”, comenta a mãe a garota 

Ela começou a passar mal no sábado (19), e foi levada para o Posto de Sáude do Vila Almeida. Tinha vômitos constantes e foi encaminhada para a maternidade Cândido Mariano.

E.V, foi levada para dentro do centro cirúrgico. “Lembro somente que estava sendo levada para dentro do centro cirúrgico. Quando acordei os médicos disseram que meu bebê estava morto. Ligaram para o meu esposo e falaram o mesmo. Veio uma enfermeira e disse que o bebê nasceu vivo e que depois não resistiu. Não sei nem em quem acreditar”, comenta a adolescente.

O casal tinha comprado várias roupas para a chegada do bebê.

“Ficávamos lutando para fazer o pré-natal. Estava animado, ficava sonhando com quem a criança iria parecer. O sonho acabou. Está todo mundo arrasado. Tive que implorar para ver o corpo de bebe na maternidade. A cabeça dele estava roxa. Nasceu com menos de um quilo e deram somente um atestado que cita a causa da morte”, comenta o pai do bebê.

Na certidão de óbito está escrito parada cardiorespiratória devido a conseqüência de prematuridade extrema da ausência do pré-natal. 

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