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Ciência: Parasita faz com que rato hospedeiro perca medo de gato

29 Ago 2011 - 12h32Por Folha.com

O protozoário toxoplasma gondii altera os instintos de seus hospedeiros, no caso, os ratos em benefício próprio, segundo um estudo recente.

Pesquisas realizadas nos últimos dez anos mostram que os roedores portadores do protozoário perdem o medo de gatos e se aventuram a explorar o ambiente, a ponto de se aproximarem da urina de um felino, o que tradicionalmente não ocorre por ela ser um indicativo de perigo eminente.

Esse comportamento é ruim para os ratos, mas ótimo para o parasita: o toxoplasma se reproduz sexualmente apenas dentro do corpo dos gatos.

Assim, o parasita infecta o rato, e o gato come o rato, abrindo possibilidade para o parasita se reproduzir.

O toxoplasma também pode infectar outros animais, incluindo os humanos, nos quais causa a toxoplasmose, por isso a advertência para se evitar o contato com fezes de gatos.

MANIPULADOR

A forma como que o parasita muda o comportamento de um rato é explicada por cientistas da Universidade de Stanford (EUA).

A infecção pelo toxoplasma ativa a região do cérebro do rato responsável pela atração sexual, e o cheiro da urina do gato age sobre este conjunto de neurônios como se o rato estivesse na presença de uma fêmea sexualmente receptiva.

Os neurônios que desencadeiam a reação normal de medo imobilizante de gatos continuam ativos, porém, a mensagem é encoberta por sinais de atração sexual demasiadamente ativos, suspeitam os pesquisadores.

O coautor do artigo publicado na revista "PLoS One", o neurologista Robert Sapolsky, e seus colegas examinaram o cérebro em atividade de 36 ratos, infectados e não infectados pelo parasita, expondo-os ao odor de um gato ou ao odor de uma fêmea de rato no cio.

Eles se concentraram em estudar dois circuitos neuronais, o do medo e o da atração sexual. Essas duas atividades ocorrem essencialmente lado a lado, em uma região profunda denominada amídala, relacionada às emoções e a diversos comportamentos.

A fim de detectar o nível de atividade cerebral, o grupo mediu a atividade de uma proteína que aparece apenas quando os neurônios estão ativos.

A infecção pelo toxoplasma pode não ser a causadora direta do dano no cérebro, lembra Patrick House, estudante de graduação do laboratório Sapolsky, que conduziu a maior parte da pesquisa.

"O parasita pode provocar uma inflamação ou algum tipo de reação que, por sua vez, afeta o cérebro", explica. "É quase certo que as infecções por toxoplasma em humanos não afetariam o comportamento da mesma forma que acontece com ratos", diz House.

No mundo, cerca de 2 milhões de pessoas são infectadas pelo protozoário, sendo a ingestão de carne um dos meios de transmissão.

Os sintomas iniciais são uma gripe leve e, depois dessa fase, o parasita forma cistos que se alojam no cérebro.

Eles permanecem no local por décadas e acredita-se que exerçam pouco ou nenhum efeito em adultos, com exceção de pessoas com o sistema imunológico comprometido.

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