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15 de Abril de 2011 16h06

China reduz velocidade do seu trem-bala por custos e segurança

A China, dona de 31% dos trens de alta velocidade em operação, em construção ou em planejamento no mundo, vai reduzir a velocidade do trem-bala a fim de torná-lo mais seguro e mais barato.

A velocidade comercial de 350 km/h será baixada para 300 km/h a partir de julho.

"Isso oferecerá mais segurança. Ao mesmo tempo, permitirá uma variação maior no preço das passagens segundo princípios de mercado", explicou o ministro das ferrovias, Sheng Guangzu.

A decisão chinesa está diretamente relacionada a um debate que ocorre no trem-bala planejado para ligar Campinas, São Paulo e Rio. O leilão da obra está marcado para julho, anteontem o Senado aprovou a criação de uma estatal para o trem-bala.

O projeto brasileiro prevê velocidades acima de 300 km/h. A meta do governo federal é ter uma conexão entre São Paulo e Rio de Janeiro em até 93 minutos.

Mas há quem defenda que a prioridade deveria ser construir trens com velocidade mais baixa, o que tende a torná-los mais baratos. É o caso da empresa francesa Alstom, uma das interessadas em participar da disputa.

Já o governo paulista iniciou estudos para avaliar a implantação de trens rápidos a partir dos quais poderá haver conexões entre a capital paulista e cidades como Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos.

A ideia é usar trens com velocidade entre 160 km/h a 180 km/h. São considerados trens de alta velocidade apenas os que operam acima de 250 km/h.

O governo de São Paulo avalia que o trecho entre a capital e Campinas, por exemplo, poderia receber composições com velocidade menor, o que baratearia a obra.

O trem-bala brasileiro está oficialmente orçado em R$ 33,1 bilhões. Já a China tem planos de investir, só neste ano, US$ 106 bilhões (R$ 168 bilhões) em ferrovias.

CUSTOS

Segundo explicou um executivo do setor ao jornal "The Wall Street Journal", um trem acima de 330 km/h exige motores maiores e consome mais eletricidade, além de elevar muito os gastos com manutenção e conserto.

"Eles [o governo chinês] não deveriam estar construindo tanto trem de alta velocidade", afirma Zhao Jian, da Universidade Jiaotong, de Pequim. "Mas é uma boa decisão baixar a velocidade."

Para o consultor Plínio Assmann, ex-presidente do Metrô, velocidades menores "não significam aumento de segurança". A decisão da China, diz ele, "pode ter sido tomada para ajustar uma questão comercial em determinado trecho".

O consórcio que vencer o leilão no Brasil terá de ofertar um sistema competitivo e a redução da velocidade torna o trem-bala menos atrativo em relação ao avião.

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