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Carro usado perde 18% do valor após a crise de 2008

2 Abr 2011 - 14h41Por Folha.com

Desde o início da crise econômica mundial, em setembro de 2008, até fevereiro deste ano, o preço do carro usado já despencou 18,4%.

É o que mostra estudo da AutoInforme/Molicar, ao analisar os preços de 2.900 versões de veículos vendidos no mercado interno, fabricados no país e importados, nos últimos dez anos.

No mesmo período (29 meses), o preço dos novos teve redução de 3,43%.

Lojistas e shoppings especializados na venda de usados reclamam que o mercado ainda não se recuperou dos efeitos da crise.

Facilidades e promoções oferecidas pelas concessionárias para a compra de modelos novos, aliadas às medidas de restrição para financiamento (anunciadas pelo BC em dezembro), dificultam a recuperação do mercado, segundo afirmam consultores e comerciantes.

"Com o socorro do governo ao setor de novos, o consumidor prefere o zero porque os preços são convidativos (com a retirada do IPI), há juros mais baixos e maiores prazos de pagamento. Isso empurrou o setor de usados ainda mais para o fundo do poço", diz o consultor Joel Leite, da AutoInforme.

Na Quality, loja de usados de Santo André, as vendas de usados estão entre 30% e 40% menores neste ano na comparação com igual período de 2010. "Como os juros dos usados são tradicionalmente maiores do que o dos novos e os prazos de financiamento encolheram, a procura por usados é menor", afirma Reginaldo Luiz Frazon, dono da loja.

Os juros mensais dos carros novos variam de 1,6% a 2%, na média, segundo dados da Anefac (associação dos executivos de finanças), enquanto os dos usados (mais de três anos de uso) ficam entre 2,8% e 4,5%.

"Em 2010, as taxas estavam entre 15% e 20% menores. Com as medidas do governo, o consumidor mais punido é o de baixa renda. A classe média tem o usado para dar de entrada e melhorar as condições do financiamento", diz Miguel de Oliveira, vice da Anefac.

Os modelos mais encalhados, segundo os lojistas, são os usados na faixa de R$ 50 mil a R$ 80 mil e os "carros para famílias" -veículos maiores e menos esportivos.

Segundo Eugênio Jerônimo, dono da NX Motors, 85% de suas vendas são financiadas e os populares (entre R$ 10 mil e R$ 30 mil) são os que têm mais saída.

Os comerciantes reduziram seus estoques. Há um ano, lojistas do Auto Shopping Global, no ABC, mantinham de 80 a 100 carros em estoque. Hoje, são 50 a 60.

"O mercado vai se acomodando aos poucos", diz André Vargas, gerente do shopping.

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