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Brasil ainda tem dependência do agronegócio

19 Jul 2011 - 17h34Por Correio do Estado

A agricultura colhe uma safra de bons números neste ano. Produção recorde, preços remuneradores e superavit na balança comercial. A demanda internacional vai continuar, o que segura os preços em patamares rentáveis e incentiva o plantio. O Brasil se consolida definitivamente no agronegócio, abrindo novas fontes de mercado e se tornando importante participante no abastecimento mundial de alimentos.

O país precisa, no entanto, aproveitar esse momento de boa evolução de produção e de renda para pensar em uma política de longo prazo para obter uma consolidação agrícola.

A safra de grãos é recorde, mas apenas dois dos principais produtos que lideram a produção -soja e milho somam 81% do volume nacional. Se for acrescentado arroz, o percentual vai a 90%. É uma dependência muito grande para o país estar focado em apenas três produtos no setor de grãos.

Um eventual problema na produção deles vai acarretar uma forte perda de renda no campo, se alastrando para todo o sistema econômico. A irrigação financeira desses três produtos no mercado atinge R$ 87 bilhões, 44% do total das principais culturas do país. Só a soja equivale a R$ 55 bilhões por ano.

Além do perigo de uma eventual quebra de produção, e conseqüente perda de renda, as indústrias se voltam mais para esses produtos de grandes volumes, reduzindo pesquisas e oferta de insumos para os de menor volume. O problema não vem apenas das indústrias, mas das próprias "tradings", que desmontam as operações de comercialização para produtos de menor valor e focam apenas nos de maior volume.

Em alguns casos, nem são produtos de menor valor. O Paraná, por exemplo, líder de produção de café no passado, está perdendo a estrutura de comercialização do produto em várias cidades, o que afasta parte dos produtores da cafeicultura.

O governo ensaia uma organização econômica para os produtores familiares e deu mais crédito a esse setor neste ano, mas essas medidas devem visar não apenas a produção, mas também -e principalmente- a comercialização. O país não deve deixar de ser forte em soja, milho, cana e café, mas também tem de priorizar a produção de vários outros produtos, como amendoim, aveia, girassol, feijão, mandioca e até a mamona, o ex-carro-chefe do biodiesel.

Na crise de um produto, a economia agrícola se sustenta em outro. O problema maior para essas culturas de menor Valor Básico de Produção é que, em geral, ocupam pequenas áreas e necessitam de uma estrutura logística específica. Elas dependem muito mais de uma política do governo do que as de grande Valor Básico de Produção, que sempre estão na mira das "tradings".

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