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BC eleva taxa básica de juros pela 5ª vez, para 12,50%

21 Jul 2011 - 10h47Por Folha.com

Em meio a dúvidas sobre o comportamento da economia e dos preços, o Banco Central anunciou nesta quarta-feira (20) o quinto aumento consecutivo da taxa básica de juros (Selic).

O Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa que serve de referência para o custo do dinheiro a empresas e consumidores de 12,25% para 12,50% a.a. (ao ano). A decisão já era esperada pelo mercado.

"Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic para 12,50% a.a., sem viés", informou o BC.

A expectativa de economistas consultados pelo BC é que haja pelo menos mais um aumento de 0,25 p.p. (ponto percentual) da taxa, na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 30 e 31 de agosto.

Parte dos analistas não descarta outro aumento na reunião seguinte, marcada para outubro, caso haja piora nos dados sobre inflação no Brasil e melhora no cenário internacional.

O aumento dos juros é parte do trabalho iniciado no final de 2010 para esfriar a economia e controlar a inflação, que está hoje no maior nível em seis anos. No início do governo Dilma, os juros estavam em 10,75% ao ano. Hoje, está no maior nível desde março de 2009.

Antes de aumentar a taxa básica, o BC já havia anunciado restrições a financiamentos e retirado recursos da economia. O governo também cortou gastos do Orçamento e dobrou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre empréstimos para pessoas físicas.

Dados recentes mostram que a inflação caiu nos últimos três meses, mas menos que o esperado pelo mercado. O IPCA, índice oficial que serve de referência para o BC, acumulada alta de 6,71% em 12 meses, acima do teto da meta, que é de 4,5% com dois pontos de tolerância.

Outros dados econômicos, como crédito, produção industrial e vendas do comércio, mostram desaceleração. Há dúvidas, no entanto, se o ritmo atual de crescimento será suficiente para segurar os preços, que devem voltar a subir com mais força a partir de setembro.

Como o BC desistiu de trazer a inflação para os 4,5% neste ano, para não causar uma recessão, o objetivo agora é alcançar o centro da meta em 2012. As previsões do mercado e da própria instituição ainda estão em volta de 5%.

Outras economias emergentes, como China e Rússia, também elevaram os juros neste ano e adotaram outras medidas para segurar a inflação. As taxas nesses países, no entanto, são mais baixas que no Brasil, líder mundial no ranking dos juros reais.

Apesar do aumento da Selic, a taxa real de juros recuou de 6,86% na reunião do Copom de junho para 6,77% ao ano na reunião atual. Esse número considera a taxa básica descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses. Como as projeções de inflação subiram mais que os juros, a taxa real ficou menor.  

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